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ESAC e ISEC desenvolvem aplicação para estimativa do volume das árvores

Uma equipa interdisciplinar de investigadores, liderada pelos docentes Raúl Salas-González, da Escola Superior Agrária (ESAC) e Mateus Mendes, do Instituto Superior de Engenharia (ISEC), do Politécnico de Coimbra, desenvolveu uma aplicação para estimar o volume das árvores através de um método expedito e não destrutivo.

〈 03/05/21 〉 

De forma a contornar as limitações associadas aos métodos tradicionais de inventário florestal, que implicam um conhecimento especializado, a utilização de instrumentos específicos, e a realização de um extenso trabalho de campo, tornando-os muito onerosos e levando a uma baixa taxa de utilização prática, a equipa de investigadores, que é composta pelos docentes da ESAC, Beatriz Fidalgo e Raúl Salas, pelos docentes do ISEC, Mateus Mendes e João Coelho e pelos docentes do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Universidade de Coimbra, Paulo Coimbra e Manuel Crisóstomo, desenvolveu uma aplicação que pode ser carregada num telemóvel ou num tablet, e que permite, a partir do tratamento digital de imagens (fotografias) das árvores, efetuar o cálculo do volume do tronco. Para além de se tratar de um método não-destrutivo, não exige a utilização de equipamento de medição especializado, e é expedito, já que permite rapidamente a obtenção da estimativa do volume das árvores.

Esta solução vem dar resposta a um problema prático, que assume ainda maior relevância se tivermos em conta que a maioria da área florestal em Portugal está na posse de pequenos proprietários privados, os quais estimam frequentemente de forma visual o volume em pé dos seus povoamentos, sem efetuar quaisquer medições das árvores, conduzindo evidentemente a uma menor precisão da estimativa do volume que irão comercializar.

Embora ainda numa fase experimental, o trabalho desenvolvido até ao momento já permite estimar o volume em pé de povoamentos reais de Pinus nigra (Pinheiro larício), com erros na estimativa do volume comparáveis aos que se verificam nos métodos tradicionais de medição.

Pretende-se continuar a desenvolver e aperfeiçoar o software e metodologia, assim como estender a sua utilização a outras espécies com interesse florestal.

Os resultados desta primeira fase experimental foram publicados na revista Symmetry e estão disponíveis aqui.