Editorial

E se voltássemos à agricultura de antigamente?

Quando nos lembramos de outros tempos, puxamos à memória os bons momentos que guardamos religiosamente, e tentamos esquecer outros menos agradáveis que não queremos voltar a viver.

〈 01/05/21 〉

Ouve-se muito no nosso dia a dia que “antigamente é que era bom…” sobretudo quando alguma coisa no presente não está bem, não nos agrada, ou simplesmente não nos convém. Sabemos que o mundo tem vindo a mudar, é verdade que nem sempre para melhor, já que algumas coisas boas vão desaparecendo de uma forma mais ou menos natural, mas no essencial, crê-se que os ganhos superam largamente as perdas.

Os tempos mudam e a evolução acontece num mundo cada vez mais uma “aldeia global”, naturalmente mais exposto e por conseguinte mais exigente, para fazer face aos “danos colaterais” típicos de uma globalização. Temos por exemplo, o setor agroalimentar de hoje que é obviamente muito diferente daquele que os nossos antepassados conheceram, desde logo porque há mais “bocas” para alimentar, perante uma população mundial em crescendo e para além disso, mais exigente.

Porém, em contraste, o número de pessoas a trabalhar na agricultura tem vindo a diminuir, sendo várias as razões apontadas para este cenário, sem que o agricultor tenha aparentemente “culpas no cartório”. Assim, o produtor agrícola vê-se desde logo na obrigação de procurar formas alternativas de desenvolver a sua atividade, adaptando-se “obviamente” a processos tecnologicamente sofisticados, com o risco de, se mal utilizados, poderem vir a colidir com a sustentabilidade ambiental que todos queremos ver acautelada.

Entretanto como sabemos, para que a tecnologia possa ser rentabilizada, são necessárias maiores áreas de cultivo, e por outro lado, incrementar um regime mais intensivo em determinadas culturas, daí que se acentuem cada vez mais as preocupações dos defensores do ambiente, alertando para os perigos da intensificação da agricultura. Os agricultores por sua vez, manifestam-se contestando o aparecimento de uma acentuada desinformação, e justificam que as técnicas agronómicas desenvolvidas na generalidade das explorações, têm vindo a ser cada vez mais apuradas tendo em conta justamente as questões ambientais.

Para finalizar e na tentativa de contribuir para o necessário bom senso nesta matéria, permitam-me perguntar:

– Será que nos dias de hoje alguém quererá voltar a ter a agricultura de antigamente ?

• Editorial da edição de maio 2021.

Boa leitura!

Paulo Gomes, Diretor

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