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O uso de 𝑻𝒓𝒊𝒄𝒉𝒐𝒅𝒆𝒓𝒎𝒂 no controlo da podridão do colo 𝑷𝒉𝒚𝒕𝒐𝒑𝒉𝒕𝒉𝒐𝒓𝒂 𝒏𝒊𝒆𝒅𝒆𝒓𝒉𝒂𝒖𝒔𝒆𝒓𝒊𝒊 em amendoeira

Autoria: Ana Lázaro1, Xavier Miarnau2 & Mariana Regato3

1Instituto Politécnico de Beja, Campus do IPBeja. Rua Pedro Soares. Apartado 6155. 7800-295-Beja, ana_lazaro_95@sapo.pt

2Instituto de Investigación y Tecnología Agroalimentaria (IRTA). Fruitcentre, PCiTAL, Parque Cientifico de Gardeny, E-25003 Lleida, España

3Instituto Politécnico de Beja, Campus do IPBeja. Rua Pedro Soares. Apartado 6155. 7800-295-Beja, mare@ipbeja.pt

Introdução:

O presente trabalho surge pela necessidade de controlar a doença da podridão do colo da amendoeira (Phytophthora spp), utilizando algumas técnicas culturais e a aplicação de diferentes produtos fitofarmacêuticos.

Segundo Doll (2019), a Phytophthora spp. é uma doença das amendoeiras causada por um fungo patogénico que prolifera em condições ideais de humidade, ou seja, se no solo existir água em abundância, estamos perante um meio favorável ao seu desenvolvimento. É um fungo comum em todas as regiões do mundo onde se produz amêndoa. São conhecidas seis ou mais espécies causadoras de doença.

Os sintomas da doença são a podridão das raízes e do colo e por vezes também o aparecimento de cancro (cancro espumoso ou “Foamy Canker”) no tronco e nos ramos da árvore. O cancro espumoso é uma doença emergente em Espanha e em Portugal (Tourget et al., 2016) no entanto é conhecida desde 1974 nos vales de Sacramento e S. Joaquim na Califórnia (Fuster e Fuente, 2019).

Nos estágios iniciais da doença, é difícil distinguir as árvores doentes, das árvores sãs. Com o avançar da doença, as folhas começam a apresentar uma tonalidade clorótica e ausência de crescimentos apicais. À medida que o declínio se desenvolve, frequentemente também surgem grandes quantidades de seiva exsudada, a qual costumamos designar de gomose, de cor acastanhada.

Afeta principalmente árvores de dois a três anos de idade, mas também pode afetar árvores adultas que estejam mais debilitadas.

As árvores começam a demonstrar um debilitamento progressivo ao longo de várias estações, ou então morrem repentinamente no final da primavera, ou no verão, normalmente a seguir aos anos em que o clima se apresenta mais húmido (Bielsa et al., 2017).

Existem algumas técnicas culturais que podem reduzir o aparecimento da doença, como a realização da plantação em camalhões, para permitir uma boa drenagem da água de rega, e fazer uma boa gestão da rega de forma a impedir que o solo não fique saturado por mais de 24 horas seguidas, para evitar que surjam pontos de infeção com o fungo. O tubo gotejador de rega deve ficar distanciado do tronco da árvore, para evitar que a água se acumule durante algum tempo junto ao colo da planta (Bielsa et al, 2017).

Embora a eleição do porta-enxerto e as práticas culturais sejam fundamentais para reduzir o aparecimento da doença, também existem alguns produtos químicos para a combater, como por exemplo, fungicidas sistémicos como o metalaxil, os fosfonatos e o fosetil de alumínio.

Outra possibilidade para o controlo da doença é o controlo biológico através de outros fungos, como os do género Trichoderma spp., conhecidos por trichoderma, que engloba fungos de vida livre, que se reproduzem assexuadamente (Machado et al., 2012) são biofungicidas, antagonistas dos fungos patogénicos para as plantas, presentes no solo.

Apresentam elevada capacidade para colonizar a rizosfera das plantas, ou seja, crescem mais rapidamente na superfície das raízes, do que os outros fungos do solo e entram em competição pelos nutrientes, impedindo que o fungo patogénico se desenvolva pela falta dos mesmos (Koppert, 2019).

Material e Métodos

O presente trabalho foi realizado num pomar de 300 hectares de amendoeiras, instalado no Baixo Alentejo, plantado em outubro de 2018, no compasso 6 x 4 m. Neste estudo, foram utilizadas as cultivares »Marta¼, »Vairo¼ e »Soleta¼ enxertadas no porta-enxerto INRA GF 677.

O método utilizado, no desenho experimental, foi o das parcelas subdivididas (Split Plot), em 4 blocos, avaliados durante as três datas de observação distintas (outubro de 2019, novembro de 2019 e março de 2020). A variedade é a parcela principal e os tratamentos a parcela secundária (distribuídos aleatoriamente dentro de cada variedade). A parcela elementar era composta por 20 árvores e foram todas analisadas.

O ensaio teve como objetivos verificar o efeito de duas formas de colocação do tubo gotejador de rega (junto ao colo e afastado 70 cm para cada lado do tronco da árvore, ou seja, à distância utilizada no resto do pomar – testemunha) e ainda o efeito de cinco tratamentos com fungicidas no combate à Phytophthora spp (…).

Leia o artigo em completo na nossa edição de abril 2021.

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