Sanidade vegetal

Alerta a Marvão! Chegou a vespa-das-galhas-do-castanheiro

Figura 1 – Castanheiro atacado pela Vespa-das-Galhas-do-Castanheiro (Dryocosmus kuriphilus)

O castanheiro (Castanea sativa) é a única espécie nativa da Europa do género Castanea, e apresenta uma vasta distribuição numa ampla gama de altitudes, desde o nível do mar a mais de 1000 metros.

Os principais fatores limitantes à distribuição do castanheiro são o pH do solo (não gosta de calcário) e a quantidade de precipitação, que deve ser de pelo menos 600 mm por ano, sem períodos de seca prolongada, especialmente no verão. Um clima oceânico com uma temperatura média anual de 8°C é mais favorável ao seu desenvolvimento. Apesar da vasta gama de distribuição e do papel importante em muitos países europeus, não existem dados oficiais e coerentes sobre a espécie, contudo na Europa, é estimada em cerca de 2,5 milhões de hectares de área ocupada.

Da Idade Média até ao século XVIII o castanheiro era uma árvore importante e valorizada, mas desde então o declínio tem sido constante, sendo múltiplas as causas: grande uso da madeira de castanheiro nas grandes obras medievais e posterior procura como combustível para o transporte ferroviário, êxodo rural, revolução agrícola, extração excessiva de taninos e propagação de doenças em resultado do aumento dos fluxos comerciais

Em Portugal, dos 70 mil hectares que o castanheiro ocupava no início do século XX restam atualmente cerca de metade, maioritariamente no Centro e Norte do país, com especial interesse na produção do fruto. Com efeito, a castanha ocupa o primeiro lugar em valor das exportações de frutos, contribuindo a região da TerraFria de Trás-os-Montes com uma quota de 90%.

A principal ameaça para o castanheiro têm sido as doenças, nomeadamente a doença-da-tinta e o cancro.

Em termos de pragas, são mais importantes as que afetam a produção da castanha: o gorgulho (Curculio elephas) e o bichado (Cydia splendana), sem que, no entanto, exista uma avaliação metodológica e sistemática dos danos que têm sido causados. Em 2014 foi detetada na região de Braga, uma nova praga, a vespa-das-galhasdo-castanheiro Dryocosmus kuriphilus, espécie himenóptera originária da Ásia(Fig. 1). Imediatamente foi elaborado o Plano de Ação Nacional que estabelece os procedimentos para a sua prospeção, monitorização e contenção, identificando as entidades que estão envolvidas na execução das medidas de prevenção e controlo dirigidas a esta praga. Este plano integra também os objetivos e linhas de atuação previstas no Programa Operacional de Sanidade Florestal (POSF).

Apesar dos esforços que são todos os anos são feitos, nomeadamente com a campanha de libertação do parasitoide específico Torymus sinensis, esta praga rapidamente se dispersou (…).

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Bibliografia

Bento, A., Cabanas, J.E., Rodrigues, M.A. & Pereira, J.A. (2005) – Avaliação dos estragos provocados por pragas da castanha em Trás-os-Montes. In atas IV Congresso Nacional de Entomologia Aplicada, X Jornadas Científicas de la S.E.E.A., I Jornadas Portuguesas de Entomologia Aplicada, 17 – 21 de outubro de 2005. Bragança, Portugal.

BioPest – Estratégias integradas de luta contra pragas-chave em espécies de frutos secos (2019-2021) – https:// biopest.cncfs.pt/ . Consultado em abril 2021.

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ICNF (2017) – Plano de Ação Nacional para Controlo do Inseto Dryocosmus kuriphilus yasumatsu, Vespa das galhas do castanheiro. http://www2.icnf.pt/portal/florestas/prag-doe/plan-rel/p-control/vesp-castanh.

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ICNF (2018) – Programa Operacional de Sanidade Florestal (POSF) – https://www.icnf.pt/florestas/fitossanidade/ posf/posf. Consultado em abril 2021.

Monteiro, M.L (2000) – Trás-os-Montes um lugar de castanheiros. in Florestas de Portugal. DGF. Lisboa. pp 34-43.

Tamura, M. (1960) – Studies on the chestnut gall wasp, Dryocosmus kuriphilus Yasumatsu (Part 2). On the life history. Journal of Agricultural Sciences, Tokyo Nogyo Daigaku 6(1): 13-36.

Yasumatsu, K. (1951) – A new Dryocosmus injurious to chestnut trees in Japan (Hym., Cynipidae). Mushi 22: 89-93.

Autoria: Luís Bonifácio, Frederico Preza e Edmundo Sousa

• Instituto Nacional da Investigação Agrária e Veterinária, IP. Av. da República. Quinta do Marquês 2780-159 OEIRAS

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