Hortofruticultura Reportagem

Batata-doce tem grande potencial de crescimento, embora também necessite forte investimento

O negócio agrícola já atravessou várias gerações na família de Marco Correia, mas a aposta mais concreta na cultura da batata-doce regista-se desde há uns 15 anos, durante os quais já ultrapassou inúmeros desafios e obstáculos, com consciência de que tem muito a aprender.

PRODUTOR: Marco Correia 

LOCALIZAÇÃO: Lugar da Estrada (Peniche) 

SETOR DE ATIVIDADE: Produção de batata-doce 

ÁREA: 5 a 6 hectares

Marco Correia, de 42 anos, é produtor de batata-doce no concelho de Peniche, mais concretamente em Lugar da Estrada, que dista escassos mil metros do mar.

Sempre trabalhou na agricultura, tendo concluído o 12.º ano de escolaridade e frequentado várias formações a nível de produção e proteção integrada, GlobalGap e produção biológica.

Com vasta experiência desde a sementeira até à colheita, gere uma exploração familiar onde trabalha com a mãe, socorrendo-se de trabalho externo sobretudo nas épocas de plantação e colheita.

A área de produção de batata-doce é de aproximadamente cinco a seis hectares e Marco Correia é responsável por todo o tipo de operações, apesar de uma limitação física que o acompanha desde os 15 anos de idade, obrigando-o a deslocar-se numa cadeira de rodas.

O negócio agrícola já atravessou várias gerações mas a aposta mais concreta na cultura da batata-doce regista-se desde há uns 15 anos, durante os quais já ultrapassou inúmeros desafios e obstáculos, com consciência de que tem muito a aprender.

Aplicando os conhecimentos que foi adquirindo ao longo do tempo, Marco Correia faz o próprio viveiro na terra, em fevereiro, esperando entre um mês e meio a dois meses até que os grelos atinjam 20/25 cm para fazer a plantação definitiva no campo.

Também já experimentou fazer o viveiro em hidroponia, para o qual escolheu 1100 batatas, quase todas do mesmo tamanho para a produção de rama. Considera uma experiência positiva, com um grande aproveitamento de plantas (cerca de 15 mudas por batata), além de que com este processo consegue evitar as doenças de solo do viveiro convencional.

As variedades cultivadas são preferencialmente a ‘Lira’ e ‘Murasaky’, embora também produza as variedades ‘Beauregard’ e ‘Bellevue’, de polpa laranja, e a ‘Sakura’, de polpa roxa. Estas duas últimas porque são nichos de mercado, enquanto que a de polpa amarela é a mais consumida

A plantação efetua-se a partir da primeira semana de abril e durante o mês todo de maio. Realizada com um trator e plantador é imediatamente colocada a fita de rega gota-a-gota junto da planta. Marco Correia considera que esta é a melhor forma de regar pois economiza-se muita água, além de facilitar a distribuição dos nutrientes às plantas.

Passados 120 dias da plantação procede-se à colheita, no início do mês de setembro, para a qual é necessária mais mão de obra, sendo efetuada com um arrancador manual para que a batata sofra o mínimo possível. A produção média situa-se entre as 30 e as 35 toneladas por hectare.

Pandemia trouxe o mercado dos cabazes porta a porta, contando já com clientes fidelizados

Alguma parte da produção é comercializada através das grandes superfícies e outra através do comércio tradicional. No último ano, face à pandemia surgiu também o mercado dos cabazes porta a porta, contando já com clientes fidelizados.

Na opinião de Marco Correia esta é uma cultura pouco explorada e talvez “vista como uma cultura menor, até porque quando existe um problema não existe tecnologia que o possa resolver a nível de produtos químicos”. Mas considera-a uma cultura com grande potencial de crescimento, embora também necessite de um grande investimento.

Devido ao facto da produção ser feita unicamente uma vez no ano, é necessário fazer um armazenamento eficaz com palotes de madeira em local seco e arejado para que ela tenha a maior durabilidade possível. Nesse sentido, a colheita tem de ser feita antes de iniciar as chuvas e sem magoar o tubérculo.

Na ótica do produtor, “em Portugal, a produção é baixa apesar de existirem algumas produções significativas no baixo ribatejo e no litoral alentejano mas que se destinam aos mercados do norte da Europa, que são grandes consumidores de batata-doce. Portugal e os países mediterrâneos são os melhores locais de produção de batata-doce”. No caso concreto da sua exploração, a ambição é continuar a crescer e “tentar produzir mais área e mais quilos”.

Artigo completo publicado na edição de março 2021.