Vinha & Vinho

O papel da diversidade das videiras autóctones na adaptação às mudanças climáticas

Figura 1 – Conservação da diversidade intravarietal em vasos no Pólo Experimental de Conservação da Diversidade da Videira, Pegões

A diversidade das videiras cultivadas situa-se em dois compartimentos: o das diferenças entre as castas (intervarietal) e a existente entre as plantas de cada casta (intravarietal).

A diversidade do primeiro tipo é bem conhecida dos viticultores, principalmente, a diversidade de rendimento e de várias características de qualidade das uvas. Já a diversidade intravarietal é menos percetível por observação direta das plantas, mas não deixa de ser bem real e passível de quantificação e de utilizações práticas de grande interesse: dentro de diversas castas antigas podem encontrar-se plantas com rendimento (enquanto geneticamente determinado) 10 vezes maior do que o de outras e com teor de açúcar variando do simples para o dobro; é esta diversidade que permite a realização da seleção (clonal e policlonal), com ganhos genéticos frequentemente da ordem de 5-35%, quanto ao rendimento, e de 5-10% quanto ao açúcar e outras várias características.

O sucesso da seleção depende de duas condições essenciais: primeiro, tomar como população a selecionar um conjunto vasto de plantas que seja representativo de toda a diversidade intravarietal e depois avaliar as plantas (melhor, os clones derivados de cada uma), com separação do valor na parte geneticamente determinada (herdável) e na parte resultante de fatores aleatórios (não herdável).

Responder a estes requisitos tem levado ao grande desenvolvimento no país, por ação da “Rede Nacional de Seleção da Videira” e da Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira – PORVID (Quadro 1), da prospeção e conservação em grande escala da diversidade intravarietal de todas as castas autóctones: todas as castas, mesmo quando não destinadas à seleção imediata, porque a diversidade intravarietal está hoje a perder-se a um ritmo extraordinariamente rápido (erosão genética) e tem que ser conservada antes que desapareça de todo. Como resposta à situação estão hoje conservados mais de 30000 genótipos de um largo número de castas, tendo em vista a meta de 50000 (Figura 1). São estes recursos genéticos que possibilitarão a realização de futuras seleções com distintos critérios.

Responder às exigências da seleção tem levado também ao desenvolvimento de metodologias genéticas inovadoras e eficientes, dando resposta à minimização dos efeitos das mudanças ambientais (…).

Leia o artigo em completo na edição de abril 2021.

Referências

Carvalho, L., Gonçalves, E., Amâncio, A., Martins, A. (2020). Selecting Aragonez genotypes able to outplay climate change driven abiotic stress. Frontiers in Plant Science, 11.

Cammisano, A. (2021). Evaluation of intravarietal genetic variability of agronomic traits and stress tolerance in the Portuguese grapevine variety Arinto. Mestrado Bolonha em Engenharia de Viticultura e Enologia, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa.

Gonçalves, E., Carrasquinho, I., Martins, A. (2020). A measure to evaluate the sensitivity to genotype-by-environment interaction in grapevine clones. Australian Journal of Grape and Wine Research, 26, 259–270.

Martins, A., Gonçalves, E., 2015. Grapevine breeding programmes in Portugal. In Grapevine Breeding Programs for the Wine Industry: Traditional and Molecular Techniques. A. G. Reynolds ed., Woodhead Publishing Elsevier, UK, pp. 159-182.

Autoria: Elsa Gonçalves, Luísa Carvalho, Antero Martins

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