Leguminosas

Valorização de produtos locais: Feijão Tarreste

O desenvolvimento rural passa, necessariamente, pela integração conjunta dos diversos setores de atividade, num objetivo comum de promover a defesa dos ecossistemas e melhorar o nível de vida dos habitantes locais.

Neste âmbito, a Cooperativa Agrícola de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca abrange um vasto território, parte dele constituinte do único Parque Nacional existente em Portugal. Criado em 1971, o Parque Nacional Peneda-Gerês reveste-se de uma importância maior no que respeita à conservação dos recursos endógenos. Resultam desta permanente ligação ao território muitos usos, costumes e tradições, os quais temos o dever de defender, conservar e valorizar.

Feijão Tarreste – um património a conservar e valorizar localmente

O Feijão Tarreste é um importante e único recurso genético, uma cultivar da espécie Phaseolus vulgaris. Foi introduzido no continente europeu, no noroeste da Península Ibérica, após as descobertas das Américas, onde atualmente se encontra ainda uma grande variabilidade genética, fruto dos sistemas de minifúndio e de pequena agricultura familiar.

Ao longo de vários séculos, consequência de um extraordinário processo de seleção promovida pelas populações locais, que habitaram as serras do Soajo e da Peneda, foram escolhidas as melhores sementes, as mais bem adaptadas ao clima e aos solos da região.

Assim nasceu o Feijão Tarreste, caracterizado por uma diversidade genética bem vincada e capaz de permitir a sua cultura em consociação com o milho, numa das mais exemplares formas de agricultura sustentável.

Este produto singular é hoje reconhecido como um importante e valioso recurso genético, de valor nutricional distinto e merece reconhecimento pelo movimento “Slow Food”, fazendo parte da denominada “Arca dos Sabores”.

O termo alimento funcional resulta da função que determinado alimento ou ingrediente que o compõe, exerce em benefício das funções vitais, ou mesmo na redução de riscos de doença. Na Europa, o chamado “Documento do Consenso” ressalva que estes alimentos devem demonstrar os seus efeitos em quantidades que sejam normalmente consumidas na dieta (…).


Referências: Mesquita M.F., Morais Z., Pereira P.C., Teixeira M., Cardoso A., Mateus M., Soares G., Cervantes E., Rayssiguier Y. (2001). Estudo nutricional dos ecótipos de feijão, cultivados na serra da Peneda (Arcos de Valdevez). Interreg II – Projecto de Investigação Aplicada n.º 1/1/89/DGD Rural/99. Scientific Concepts of Functional Foods in Europe, Consensus Document.(1999). British Journal of Nutrition,81, S1-S27.

Autoria: Amaro Pereira de Amorim

Leia o artigo completo, publicado na Revista Voz do Campo: Edição de março de 2021.

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