Agropecuária Sanidade animal

Alemanha regista primeiros surtos de PSA em porcos domésticos

Informação disponibilizada pela FPAS.

A Peste Suína Africana (PSA) atingiu a população nacional de suínos na Alemanha. O vírus foi encontrado em duas pequenas explorações no estado de Brandemburgo, no leste do país.

〈 16/07/21 〉

A confirmação foi revelada pouco depois da meia-noite de 16 de julho. O laboratório nacional de referência Friedrich-Loeffler-Institut (FLI) confirmou a descoberta em dois locais, um no distrito de Spree-Neisse e outro no distrito de Märkisch-Oderland, ambos localizados nas proximidades da fronteira com a Polónia.

A exploração no distrito de Spree-Neisse alberga 200 porcos tendo o vírus sido detetado num porco morto como parte da rotina de monitorização, levando ao abate de toda a população. De acordo com o principal título agrícola alemão “Top Agrar”, trata-se de uma exploração de criação biológica, com possibilidade de saída para o exterior. Por outro lado, na localização de Märkisch-Oderland, apenas dois porcos foram mantidos vivos. Contudo, ambos os suinicultores serão compensados pelos prejuízos.

Esta é a primeira vez que foi detetada a PSA em porcos domésticos na Alemanha, embora o vírus tenha sido detetado no país em setembro de 2020, quando a pressão da infeção na vizinha Polónia cresceu fortemente. Na Polónia, a PSA existe desde 2014, situação que se agravou quando surgiu um novo surto na região oriental, em novembro de 2019.

Num comunicado de imprensa, a ministra para a Defesa do Consumidor de Brandenburgo, Ursula Nonnemacher, citou: “Gostaria de agradecer às autoridades locais pela sua ação rápida e consistente. É agora importante que se encontre rapidamente a causa da entrada na população de suínos, de modo a sabermos qual a rota do vírus. As investigações foram iniciadas e são apoiadas por uma task force de especialistas do Estado de Brandemburgo e da FLI, a quem solicitámos ajuda imediatamente. O facto dos casos terem sido detetados logo de imediato é revelador de que a monitorização da doença está a funcionar”.

Por esta altura, já foi colocada uma vedação permanente ao longo dos rios fronteiriços Oder e Neisse, conforme adiantou Nonnemacher, tendo sido identificadas seis áreas de surto. “Gostaria, por isso, de apelar a todas as explorações suinícolas que continuem a aderir escrupulosamente às rigorosas medidas de biossegurança, especialmente em explorações mais pequenas, a fim de evitar novos focos nas explorações de suínos”, acrescentou.

A constatação da PSA em porcos domésticos é mais um golpe para a indústria suinícola alemã, que até agora tinha conseguido manter a doença fora das explorações. Em citações do Ministério da Agricultura alemão (BMEL) à “Top Agrar”, as autoridades afirmam que “a regionalização na UE e a possibilidade de comércio intracomunitário de suínos e carne de porco continua a existir, uma vez que as populações nacionais de suínos em causa estão concentradas em regiões circunscritas. No entanto, é provável que as exportações para países terceiros voltem a estar em risco.”

Em nome da organização alemã de suinicultores ISN, o diretor-geral Dr. Torsten Staack apelou à manutenção da calma. “Ainda que tenha sido detetada pela primeira vez na Alemanha a PSA em porcos domésticos, não há necessidade de entrar em pânico! As duas explorações afetadas estão localizadas dentro das zonas de restrição já existentes em Brandemburgo e foram evacuadas. Por conseguinte, a situação dos suinicultores alemães não se alterará significativamente.

No que diz respeito ao mercado, a Alemanha já estava bloqueada nas exportações para muitos países terceiros por causa da PSA em javalis. Contudo, o princípio da regionalização continua a aplicar-se ao nível do comércio intracomunitário, o que significa que atualmente não existem alterações nos mercados de vendas alemãs na UE”, referiu Torsten Staack.

“Além disso, a oferta de porcos de engorda neste país é extremamente baixa, estando ao nível de 2007, ano em que se registou o valor mais baixo de sempre. No entanto, os suinicultores alemães estão a sob pressão de um preço ruinosamente baixo. Atualmente estão a perder 30 a 40 euros/animal. Quem tentar baixar o preço, apesar da situação descrita, está a explorar descaradamente a situação com argumentos avançados. Esperamos, portanto, uma declaração clara dos clientes na Alemanha – pelo menos um nível de preços estável é agora o imperativo e seria um sinal correto para os suinicultores alemães”, concluiu.