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Aranhiço vermelho. Uma praga ‘feita pelo Homem’ que precisa de soluções

A Sipcam Portugal promoveu o webinar em parceria com o COTHN subordinado ao ‘estado da arte sobre o aranhiço vermelho’, focado na cultura da macieira.

Em parceria com o COTHN, a Sipcam Portugal promoveu no dia 8 de junho, o webinar ‘o estado da arte sobre o aranhiço vermelho’ focado na cultura da macieira e que contou com vários convidados, entre os quais o professor Raúl Rodrigues, da Escola Superior Agrária de Ponte de Lima, que fez um enquadramento da praga que, diz, “é o que se chama uma praga feita pelo Homem porque sempre existiu e em equilíbrio com os predadores naturais até à massificação da utilização de produtos de síntese”. Essa massificação teve o seu revés, porque além do aranhiço vermelho também eliminou os predadores naturais e a capacidade de resistência do aranhiço vermelho aos pesticidas faz com que os produtos rapidamente fiquem obsoletos. Face às poucas soluções é necessário gerir muito bem a aplicação do que existe no mercado.

Mas, voltando um pouco atrás, a justificação desta ser uma praga feita pelo Homem prende-se com os fatores que favorecem o seu desenvolvimento e que entre outros são as adubações azotadas, sensibilidade varietal, intensificação cultural, podas intensas e a seletividade dos pesticidas sobre os ácaros e insetos predadores.

O aranhiço vermelho apresenta dois tipos de estragos, os diretos e os indiretos, que podem traduzir-se em prejuízos.

Com um elevado potencial reprodutivo – muito sincronizado com os seus hospedeiros – com ataques mais intensos no verão pode ter efeitos diretos tanto no próprio ano como comprometer a colheita do ano seguinte. De uma forma linear, o aranhiço vermelho alimenta-se do conteúdo celular e para o local desse conteúdo entra oxigénio, o que provoca o bronzeamento das folhas, logo uma redução intensa da superfície fotossinteticamente ativa.

Estratégia da proteção química deve ser o último recurso

Existem vários auxiliares importantes na proteção contra o aranhiço vermelho e para uma limitação natural é preciso conhecer bem as espécies, criar condições para que essa fauna se desenvolva (chamadas infraestruturas ecológicas) e ainda conhecer os efeitos secundários dos pesticidas.

Na opinião de Raúl Rodrigues a estratégia da proteção química deve ser o último recurso e, assistindo-se a uma rápida retirada de produtos do mercado é fundamental o posicionamento do produto e alternar entre produtos que atuem em diferentes pontos do metabolismo dos ácaros.

A Sipcam apresentou precisamente uma solução química a complementar a linha já existente, mas com Miguel Costa a reforçar que a planta deve estar no centro do ecossistema e tudo o que se passa em seu redor deve estar em equilíbrio, onde o produto fitofarmacêutico deve ser a solução final para evitar os prejuízos económicos.

MITACID PLUS é um acaricida específico de contacto com ação sobre os ovos e formas móveis

A Sipcam centra-se assim no momento em que todas as fases do aranhiço vermelho se encontram no campo (cruzamento de gerações), crucial no controlo da praga (primavera/verão – entre maio e agosto) e com efeito no ciclo seguinte.

O Mitacid Plus apresenta-se como um acaricida à base de duas substâncias ativas, hexitiazox mais para controlo dos estados iniciais da praga, evitando que o ovos eclodam e fenepiroximato, mais direcionado para as formas móveis afetando a respiração dos ácaros.

Os principais benefícios desta solução apontados por Miguel Costa é ser extremamente ativa a baixas doses por hectare, atuar por contacto e ingestão e destruir rapidamente as formas móveis. Reduz de imediato o número de ovos de primavera, inibe a muda das larvas e ninfas, atua de forma prolongada, apresenta alta seletividade e com reduzido impacto sobre os inimigos naturais dos ácaros. Claro que tudo tendo sempre em conta as chaves para o sucesso da luta contra resistências.

O aranhiço vermelho está presente na região Oeste há décadas na cultura da macieira. Nos últimos anos tem aparecido cedo, logo na floração e ao longo do ciclo vai causando problemas. As causas serão várias mas o facto de no Oeste se cultivarem praticamente só dois grupos de maçã: Gala e Fuji e a intensificação cultural estarão certamente entre elas. O futuro não se aparenta fácil e vai ser feito de grandes desafios. Já em termos de previsão de campanha, no Oeste os pomares de macieira tiveram uma floração muito intensa, prevê-se que a produtividade venha a ser superior à do ano anterior. O pedrado está mais presente do que o desejável e em termos de pragas verificam-se alguns focos de aranhiço vermelho. Cristina Rosa |GRANFER

A Associação de Fruticultores presta apoio nos concelhos de Armamar, Moimenta, Tarouca e Lamego, onde a primavera foi chuvosa, verificando-se algumas infeções de pedrado que obriga a maiores tratamentos fungicidas, o que pode também influenciar os auxiliares. O granizo que afetou a região no ano passado levou a que as pessoas abandonassem os tratamentos e a praga acabou por ter difusão, assistindo-se já a focos de aranhiço vermelho. Sofia Lopes | Associação de Fruticultores de Armamar

Leia o artigo completo na edição de julho 2021.

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