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Endesa colabora no estudo sobre conservação do abutre negro em Portugal

Endesa colabora no estudo sobre conservação do abutre negro em Portugal no parque internacional do Tejo, no âmbito do seu plano de conservação da biodiversidade

〈 26/08/21 〉

  • A Endesa integra a proteção da biodiversidade no desenvolvimento da sua estratégia empresarial e colabora neste estudo através do seu Plano de Conservação da Biodiversidade, que em 2020 implementou 26 ações operacionais em toda a geografia ibérica, abrangendo grande parte das áreas de negócio da empresa.
  • Este projeto, que visa conhecer os movimentos migratórios e as ameaças desta espécie em Portugal e Espanha, tornou-se o maior estudo de deteção toxicológica numa população de aves de rapina ameaçadas em Portugal e, possivelmente, um dos maiores estudos de monitorização toxicológica de crias de abutre negro na Europa.
  • No que se refere aos seus movimentos migratórios, verificou-se que os abutres negros desta colónia, localizada na zona fronteiriça do rio Tejo, entre Portugal e a Extremadura espanhola, visitam extensas áreas da Península Ibérica durante o período de dispersão juvenil, chegando a zonas do sul da França, Galiza ou Andaluzia.
  • Durante o último ano, a parte do estudo toxicológico desta espécie foi reforçada, duplicando o número de exemplares examinados e controlando a deteção de até 16 substâncias tóxicas diferentes, incluindo metais pesados e alguns antibióticos e anti- inflamatórios de uso veterinário que podem ter efeitos muito negativos para os abutres.

Voar de Portugal até ao sul de França, à Galiza ou à Andaluzia sendo apenas um adolescente. É este o percurso percorrido por alguns exemplares da população juvenil de abutres negros (Aegypius monachus) estabelecida no Parque Nacional do Tejo Internacional em Portugal, de acordo com um estudo em que a Endesa colabora pelo terceiro ano consecutivo através do seu Plano de Conservação da Biodiversidade. As aves jovens que cruzam a Península Ibérica com estes voos pertencem à maior colónia desta espécie neste país, onde o abutre negro foi considerado extinto como espécie reprodutora em 1985 e atualmente está classificada como Criticamente em Perigro.

A Endesa assumiu o compromisso, há mais de 20 anos, de cuidar da biodiversidade, minimizando o impacto ambiental da sua atividade e assegurando a sustentabilidade do planeta. Este estudo é um dos 26 projetos em que a empresa participa no âmbito do seu Plano de Conservação da Biodiversidade, uma das grandes apostas da Endesa dentro da sua Política de Biodiversidade porque todas as ações nele incluídas são realizadas de maneira completamente voluntária, superando largamente os requisitos ambientais obrigatórios que devem ser cumpridos no desenolvimento da sua atividade.

A conservação do urso pardo (Ursus arctos) nos Pirinéus, a recuperação da tartaruga mediterrânica (Testudo hermanni) na região de Les Garrigues (Lleida) ou a conservação de espécies de quirópteros ameaçadas em centrais hidroeléctricas e grandes infra-estruturas da Endesa através do projeto Endesabats são algumas destas 26 ações voluntárias focadas na proteção de outras espécies ameaçadas na península. Cerca de dez destes projetos estão centrados na proteção da avifauna ibérica, incluindo, para além do abutre preto, espécies como o milhafre real (Milvus milvus) em Aragão, o rolieiro europeu (Coracias garrulus) nos Parques Naturais de Aiguamolls de l ‘Empordá e Montgrí em Girona, a águia perdigueira (Aquila fasciata) na Catalunha, a águia pesqueira (Pandion haliaetus) na província de Cádiz, o peneireiro das torres ou francelho (Falco naumanni) em Aragão e Málaga ou o tetraz grande (Tetrao urogallus) nos Pirinéus.

Abutre negro: o maior estudo de deteção toxicológica numa população de aves de rapina ameaçadas em Portugal

Atualmente, o abubre negro em Espanha ultrapassa os 2.500 casais reprodutores, o que corresponde a 20% da população mundial e a 90% da população europeia. Em Portugal, a sua população não ultrapassa os 50 casais em todo o país.

Este estudo, no qual a Endesa participa e que se prevé que prossiga durante 2022, pretende aumentar o conhecimento dos movimentos de dispersão juvenil e das principais ameaças dentro da Península Ibérica para a maior colónia desta espécie em Portugal, tendo-se tornado no maior estudo de deteção toxicológica numa população de aves de rapina ameaçadas em Portugal e, possivelmente, num dos maiores estudos de monitorização toxicológica de crias de abutre negro na Europa.

De Portugal até ao sul de França, Galiza ou Andaluzia

Para estudar os comportamentos migratórios desta espécie, de 2018 a 2021, 15 crias de abutre negro provenientes desta colónia foram equipados com dispositivos GPS. Desta forma, foi possível comprovar que, durante o período de dispersão juvenil (entre março e julho do seu segundo ano de vida), visitam extensas zonas da Península Ibérica, chegando a pontos muito longínquos da sua colónia natal, como o sul de França, a Galiza ou a Andaluzia, embora tenham sido identificadas algumas zonas com uma elevada permanência destes individuos.

Nesse sentido, estes animais localizam-se de forma muito assídua em ambas as zonas da fronteira hispano-portuguesa nas proximidades do rio Tejo, muito frequentemente no Parque Natural do Tejo Internacional, mas também noutras áreas protegidas como o Parque Natural da Serra de São Mamede em Portugal e a ZEPA da Serra de San Pedro na Extremadura em Espanha, assim como outras áreas mais distantes no sul da Península, principalmente a Sierra Morena e a zona limítrofe entre as províncias de Sevilha e Badajoz.

À procura de mais de 16 sustâncias tóxicas nocivas para o abutre negro, como metais pesados, antibióticos e anti-inflamatórios veterinários

Por outro lado, desde o início deste estudo, foi realizado um controlo veterinário tanto de todas as aves equipadas com emissor como de outras crias nascidas nesta colónia. Um controle que foi reforçado durante o último ano, duplicando o número de exemplares examinados relativamente aos de anos anteriores e ampliando a procura e deteção de sustâncias perigosas para os abutres até um total de 16, incluindo materiais pesados, assim como alguns antibióticos e anti-inflamatórios de uso veterinário que podem ter efeitos muito negativos para os abutres. Estes tóxicos chegam aos abutres normalmente através do consumo de cadáveres de ungulados silvestres, provenientes da caça e do gado. No total, no período 2018-2021, foram examinados quase 40 crias de abutre negro, o que representa aproximadamente 50% desta colónia de abutres negros.

Até agora, só foi detetado chumbo e cádmio nalgumas das crias de abutre negro em 2018, não tendo sido detetados outros metais pesados ou produtos veterinários em níveis significativos na grande maioria das aves estudadas. Ainda que isto possa parecer um resultado positivo, o recente aparecimento de um abutre negro morto este ano em Aragão por diclofenaco, um ant-iinflamatório de uso veterinário letal para as populações de abutres que provocou a mortalidade de mais de 90% da população de abutres na Ásia, afetando várias espécies, reforça a necessidade de uma vigilância permanente perante a presença destes produtos nas espécies de abutres. Este facto reforça a necessidade de criação e manutenção de programas de vigilância toxicológica a longo prazo, como este, que permitam uma rápida deteção de qualquer tóxico nas populações de aves ameaçadas e em especial nas de tamanho reduzido, como o abutre negro em Portugal.

Este projeto é organizado pelo Hawk Mountain Sanctuary e realizado com o apoio da Endesa, do Instituto para a Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), o Parque Natural do Tejo Internacional e o Serviço de Toxicologia da Universidade de Veterinária de Múrcia, assim como a organização para a conservação da natureza QUERCUS, no âmbito do projeto “Investigação e monitorização da avifauna no PN do Tejo Internacional” através do Fundo Ambiental.