Editorial

Os pagamentos diretos são uma recompensa aos agricultores por bens públicos

Os chamados “pagamentos diretos” assumem um importante papel de estabilização dos rendimentos para os agricultores sendo no entanto necessário o seu reajustamento, sem disrupções que possam pôr em causa a viabilidade económica das explorações e que fomentem o abandono da atividade agrícola.

〈 03/12/2021 〉

O sistema de pagamentos diretos aos agricultores por parte da Comissão Europeia tem esta preocupação e prevê apoios melhor repartidos e orientados.

Estamos a falar de um apoio que a União Europeia disponibiliza ao rendimento dos agricultores, a funcionar como uma rede de segurança e a permitir uma agricultura mais rentável. Um apoio que garante a segurança alimentar na Europa, a funcionar no fundo como uma recompensa aos agricultores por bens públicos.

Refira-se que nesta altura estão a ser realizadas em Portugal sessões de auscultação e partilha de contributos no âmbito da elaboração do PEPAC 2023-2027. Estas sessões reforçam a expectativa de valorização das atividades produtivas, nomeadamente do leite, do vinho, da produção de carne e produtos hortofrutícolas, promovendo o desenvolvimento, garantindo um rendimento justo aos produtores e à viabilidade das organizações cooperativas que os apoiam.

Acrescente-se que Portugal tem vindo a demonstrar a boa dinâmica no setor, cujos dados revelam maior produção, maior qualidade, maior segurança alimentar e mais exportações ao longo dos últimos anos.

O registo de marcas que identifiquem produtos de qualidade é na verdade um fator estrutural para o desenvolvimento do setor como forma de promoção distintiva da produção junto do mercado. O registo de patentes ou de novas variedades vegetais são também resultados importantes decorrentes da inovação.

É preciso valorizar os produtos de qualidade e tanto os agentes económicos da fileira agroalimentar, como os agricultores têm de orientar a sua produção no sentido das preferências dos consumidores, para quem é importante o fator qualidade mas também o fator preço.

Os consumidores estão cada vez mais atentos à forma como os alimentos são produzidos e chegam aos supermercados na esperança de encontrarem alimentos produzidos de uma forma ambiental e eticamente responsável.

Não tenhamos dúvidas que o futuro valorizará naturalmente cada vez mais os produtos seguros e de qualidade por parte de uma população com as exigências em crescendo. É neste contexto que mais se justificam os pagamentos diretos, por efetivamente os produtores darem à sociedade um contributo que o mercado não remunera devidamente, nomeadamente de carácter ambiental.

• Editorial – Revista Voz do Campo, edição de dezembro 2021 •

Boas leituras!

Paulo Gomes, Diretor

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