Agrociência Bio

Uso da agrobiodiversidade no desenvolvimento de sementes biológicas

Celso Santos1, Violeta Lopes1, Paulo Pereira2,
Bárbara Correia2, Ana M. Barata1
1 Banco Português de Germoplasma Vegetal (BPGV), INIAV I.P., Braga, Portugal
2 Living Seeds – Sementes Vivas, Idanha-a-Nova, Portugal

Enquadramento Existe atualmente uma grande consciência quanto à importância do consumo alimentar saudável e sustentável ambientalmente. Práticas agrícolas inadequadas contribuem não só para o aquecimento global através de emissão de gases com efeitos de estufa, mas também para a deterioração e contaminação dos solos e cursos de água. E com uma população crescente e consciente do efeito que a alimentação tem no futuro global torna-se cada vez mais imperativo a mudança para práticas agrícolas mais sustentáveis. E é neste quadro de promoção de uma agricultura mais sustentável que se enquadrou o projeto europeu Liveseed (liveseed.eu). O projeto Liveseed consistiu numa colaboração internacional que visou promover e aumentar a competitividade do setor agrícola e das sementes biológicas, através da adoção de regulações e políticas europeias, estudos de aspetos socioeconómicos, inovação nas estratégias de melhoramento, testagem de cultivares e de sementes, e transferência de conhecimentos. A empresa Living seeds – Sementes Vivas sendo parceira do projeto, estabeleceu com o INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, Banco Português de Germoplasma Vegetal (BPGV)), um plano de trabalho com o propósito de obter/produzir semente de 3 variedades de brássicas (Brassica napus, Brassica rapa e Brassica oleracea) para certificação como variedades biológicas. O plano de trabalho estabelecido foi de 4 anos, com início efetivo em 2018.

Estas hortícolas estão abundantemente presentes na cultura gastronómica, com pratos tradicionais de abrangência nacional, e na agronomia portuguesa, com o desenvolvimento de variedades locais e tradicionais. Além de serem um património genético e cultural, estas hortícolas são a base de dietas saudáveis porque proporcionam uma grande variedade de compostos secundários com enorme benefício para a alimentação saudável (Francisco et al., 2016). A dieta atlântica e mediterrânea, recomendadas pelo seu perfil equilibrado e saudável, têm na sua constituição estes vegetais (VazVelho et al., 2016; Almeida e Oliveira, 2017).

Como principais atividades da parceria, e tendo em vista os objetivos do projeto, foi preconizado a obtenção de “semente base biológica” de cada variedade com distinção, homogeneidade e estabilidade (DHE), adaptadas ao modo de produção biológico; e a realização de um teste comparativo, de avaliação de produção, com variedades comerciais convencionais e biológicas (…).

Artigo completo na edição de dezembro de 2021.

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  • Na Revista Voz do Campo:

Edição de Dezembro ’21