Editorial

❝ A seca é mais um grande desafio a enfrentar

Esta situação da seca que estamos a viver agora em Portugal é uma preocupação ambiental gravíssima, e se queremos ser responsáveis e pensar nas gerações vindouras, temos de tratar deste problema.

〈 08 / 02 / 2022 〉

Uma grande parte do território continental encontra-se hoje – início de fevereiro – em situação de seca severa e extrema, com a disponibilidade de água nas barragens em níveis críticos. Os agricultores exigem medidas urgentes para mitigar os efeitos na agricultura uma vez que as culturas não se desenvolvem e na pecuária os produtores veem-se a mãos com a necessidade de transportar água para dar de beber aos animais, o que implica investir em equipamentos adequados.

É necessária a intervenção do governo, que entretanto já manifestou intenção de apoiar e reforçar o adiantamento de medidas. Por outro lado, como noticiado recentemente, várias barragens já têm restrições no uso para produzir eletricidade e para rega agrícola. Felizmente na barragem de Alqueva ainda não existem problemas em termos de abastecimento de água às populações, uma vez que mantém a quase capacidade máxima, cerca de oitenta por cento, pelo que faz todo o sentido acelerar as ligações de Alqueva às albufeiras já identificadas como urgentes.

Mas quando falamos das nossas barragens em geral, e também dos nossos rios, devemos estar preocupados com aquilo que está a acontecer.

Precisamos de uma perspetiva de longo prazo e uma visão estratégica, em suma, pensar no futuro do nosso país, como vamos fazer a descarbonização e qual será o impacto das alterações climáticas em matérias como por exemplo a nível de precipitação, ou da falta dela.

No entanto, apesar de numa perspetiva de longo prazo termos de nos preocupar com a forma de gerir os nossos recursos, a curto prazo podemos estar mais tranquilos, já que o não funcionamento das centrais de produção de eletricidade não põe de todo em causa o abastecimento desta energia. Felizmente temos capacidade instalada, tanto da energia eólica como térmica, e temos também as interligações de extrema importância com Espanha, que nos permitem quando necessário importar eletricidade para cobrir as nossas necessidades. Recorde-se a propósito, que Portugal já noutras alturas registou um saldo exportador nas interligações com Espanha.

Por fim refira-se que o investimento que está a ser feito em Portugal, utilizando os nossos recursos endógenos como a água, o sol e o vento, do ponto de vista estratégico é de facto um bom caminho. Estamos a falar de recursos que existem em Portugal e não precisam de ser importados, por isso é obviamente nessas fontes de energia primária que devemos continuar a apostar.

Paulo Gomes,
Diretor

• Editorial – Revista Voz do Campo, edição de Fevereiro 2022 •

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