Editorial

❝ Objetivo estratégico terá de ser a redução da dependência externa

Consta-se que o milho já faz parte da história alimentar mundial há mais de sete mil anos. Os primeiros registos da sua cultura terão sido feitos no México e posteriormente em países da América Central. O milho destaca-se pela sua versatilidade e importância económica em vários setores como a indústria, a alimentação humana e animal.

Em Portugal o milho é indiscutivelmente uma das culturas mais importantes e a principal cultura arvense semeada, desempenhando um papel de extremo relevo não só no ordenamento do território, como no abastecimento da indústria agroalimentar. É dotada de uma forte dinâmica na investigação nos seus diversos segmentos, seja do ponto vista institucional ou mesmo das empresas que operam no setor, com preocupações no desenvolvimento das melhores estratégias de valorização do produto.

Mas há no entanto vários desafios que se colocam à cultura, entre os quais o impacto das alterações climáticas, com estudos que demonstram a possibilidade do milho grão perder a viabilidade económica, sendo o impacto mais provável a dependência do exterior ser cada vez maior, contrariando a Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais, onde reduzir a dependência externa, consolidar e aumentar as áreas de produção constitui um dos objetivos estratégicos. Oxalá o futuro desta cultura em Portugal não venha a ser comprometido com potenciais impactos na economia e na agricultura.

Neste sentido, nesta edição abordamos o tema da cultura do milho no espaço habitual de reportagem, tanto mais que a direção da Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo – ANPROMIS – vai organizar de forma presencial o Congresso Nacional do Milho, nos próximos dias 23 e 24 de março, a ter lugar no CNEMA, em Santarém.

Falámos com a ANPROMIS que nos faz um retrato da cultura em Portugal e lança inclusive algumas ideias sobre o que vai ser o Congresso, sendo um dos principais temas o debate da temática do regadio face às alterações climáticas, para além de outros assuntos relevantes para a atividade, como são “os desafios da alimentação na próxima década”, “o mercado mundial de matérias-primas: que perspetivas para os próximos anos”, “o papel da agricultura no modelo de desenvolvimento socioeconómico português” e “que Política Agrícola Comum esperar após 2022”.

Ao longo da nossa reportagem apresentamos algumas entidades que operam no setor do milho, como é o caso da Cerpro, uma jovem organização de produtores de cereais, e da Conqueiros Invest, empresa onde a cultura do milho tem uma forte representação.

Publicamos ainda outros artigos com destaque para a importância do controlo precoce das infestantes no milho, redução da adubação mineral graças à biotecnologia, assim como para o projeto CAEA-AGRI (Caminhos de Adaptação de Espécies Agrícolas às Alterações Climáticas).

Paulo Gomes, Diretor

• Editorial – Revista Voz do Campo, edição de Março 2022 •

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