Cereais Grande Entrevista

Congresso Nacional do Milho reforça prioridade das alterações climáticas na agenda da investigação nacional

Jorge Neves, presidente da direção da ANPROMIS

O milho é a principal cultura arvense semeada em Portugal, desempenhando um papel de extremo relevo não só no ordenamento do território, como no abastecimento da indústria agroalimentar.

É uma cultura com forte dinâmica na investigação nos seus diversos segmentos, seja do ponto vista institucional ou mesma das empresas que operam no setor, como pode ler-se mais à frente, na procura das melhores respostas aos produtores. A própria produção também não está estagnada e desenvolve as melhores estratégias de valorização do produto, seja ele para consumo humano ou animal. Mas há vários desafios que se colocam à cultura, entre os quais o impacto das alterações climáticas. Por estar ciente dos desafios que se colocam aos produtores nacionais, a Direção da Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo – ANPROMIS – volta a organizar de forma presencial o Congresso Nacional do Milho. Acontece nos próximos dias 23 e 24 de março, no CNEMA, em Santarém. Jorge Neves, presidente da Direção da ANPROMIS faz-nos um retrato da cultura em Portugal e lança algumas ideias sobre o que vai ser o Congresso Nacional do Milho.

Qual é o estado da cultura do milho em Portugal?

O milho é a cultura arvense com maior expressão em Portugal ocupando atualmente cerca de 115 mil hectares. Destes, 47 mil hectares destinam-se à silagem e 68 mil ao grão.

Quais são neste momento as principais preocupações dos produtores?

As principais preocupações dos produtores nacionais de milho prendem-se com a severa seca que afeta o nosso país (final de fevereiro) e que pode inviabilizar o cultivo do milho em algumas regiões, nomeadamente nas zonas que são beneficiadas por regadios privados que têm neste momento muito pouca água. No entanto, a nossa esperança é que esta situação se inverta nos próximos meses e que a precipitação, em abundância, volte a ocorrer.

Outro assunto que muito nos preocupa é o significativo aumento dos fatores de produção que se tem feito sentir nos últimos meses e que pode inviabilizar a cultura do milho em inúmeras áreas do nosso país, sobretudo naquelas em que as produtividades por hectare são menores.

Qual tem sido o papel da ANPROMIS na procura de soluções para esses problemas?

A ANPROMIS tem defendido de há muitos anos a esta parte a necessidade do nosso país definir um plano nacional de regadios que seja debatido com toda a sociedade civil e no qual o setor agrícola seja amplamente envolvido. Continuar a hostilizar a criação de mais reservas de água, num país mediterrânico como o nosso, no qual a precipitação vai ser cada vez menor e mais concentrada, é uma aposta errada que não conseguimos entender pois coloca a ideologia de alguns, poucos mas com grande palco mediático, à frente do interesse do país e dos portugueses.

A ANPROMIS tem defendido a necessidade do nosso país definir um plano nacional de regadios que seja debatido com toda a sociedade civil e no qual o setor agrícola seja amplamente envolvido.

Quais os principais projetos em que a ANPROMIS está envolvida?

A ANPROMIS tem-se envolvido nos últimos anos em diversos projetos relacionados com a temática das alterações climáticas por acreditar que esta deve ser uma das prioridades da investigação nacional. Todos os estudos apontam para que o nosso país seja um dos Estados Membros mais afetados pelas Alterações Climáticas, pelo que importa aprofundar os conhecimentos que existem nesta matéria. A este propósito gostávamos de realçar o facto de a ANPROMIS ter estado na base da constituição do Centro Nacional de Competências contra as Alterações Climáticas do Setor Agroflorestal (CNCACSA) que reúne atualmente cerca de 60 Entidades de todo o setor agrícola nacional, num fórum que se quer de debate e de promoção da investigação em torno desta temática.

A partir desta campanha o Centro Nacional de Competências para as Culturas do Milho e Sorgo vai contar com a colaboração de um técnico de campo, com vasta experiência neste setor.

Este tema leva-nos ao trabalho desenvolvido no Centro de Competências das Culturas de Milho e Sorgo. Na prática, que conhecimentos já foram transferidos para os produtores?

O Centro Nacional de Competências para as Culturas do Milho e Sorgo – InovMilho – tem procurado nos últimos anos implementar na Estação Experimental António Teixeira, em Coruche, diversos ensaios de milho que aprofundem os conhecimentos que existem em alguns temas que julgamos relevantes para os produtores nacionais como a fertilidade do solo, o controlo de pragas e doenças, o uso mais eficiente da água e da energia, a sementeira direta, entre muitos outros. Os resultados destes ensaios são apresentados anualmente no nosso já tradicional Dia de Campo que envolve cerca de 350 participantes entre os quais investigadores, docentes, alunos, técnicos agrícolas e agricultores (…).

Nota da Redação: Esta Entrevista, tal como alguns trabalhos que pode ver na nossa edição de março, realizaram-se antes de a Rússia ter invadido a Ucrânia.

Entrevista completa:
  • Na Revista Voz do Campo

→ Edição de março 2022

O XIII Congresso Nacional do Milho foi realizado no auditório do CNEMA em Santarém, nos dias 23 e 24 de março de 2022.

A Revista Voz do Campo esteve presente e a acompanhar os trabalhos. Todo o desenvolvimento brevemente na próxima edição.

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