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LIFE Resilience partilha em Portugal experiência no combate à Xylella

→ Os agricultores portugueses puderam conhecer de perto o projeto graças ao seminário organizado pela Nutriprado no dia 29 de março em Elvas;

→ O evento contou com a presença dos parceiros do projeto, Greenfield Technologies e ASAJA, que mostraram suas experiências aos agricultores.

LIFE Resilience, um projeto cofinanciado pelo programa LIFE da União Europeia (UE), cujo objetivo principal é a prevenção da Xylella fastidiosa em explorações de alta densidade de oliveiras e amendoeiras; organizou no dia 29 de março um seminário na cidade portuguesa de Elvas.

  31 / 03 / 2022  〉

Com esta iniciativa, pretendeu-se dar a conhecer aos agricultores da área as boas práticas que o projeto está a realizar para combater esta bactéria nas culturas da azeitona e da amêndoa.

O evento começou com a sessão de abertura liderada por um dos seus parceiros, Nutriprado, com o seu gerente comercial Vasco Abreu, juntamente com a diretora regional da Conservação da Natureza do Alentejo, Glória Martins, a diretora regional da Agricultura, José Calado e o presidente da Câmara Municipal de Elvas, José Rondão Almeida.

O seminário continuou com um dos parceiros do projeto, Greenfield Technologies, como orador na conferência ‘Digitalização em práticas sustentáveis ​​em olivais e amendoeiras’. Jorge Blanco, responsável pela I&D, lembrou o significado da digitalização agrícola, salientando que pode ser entendida como uma ferramenta à disposição dos agricultores “para conseguir uma gestão mais eficiente dos seus sistemas de produção”. Da mesma forma, o especialista salientou que esta técnica pode significar “um campo mais atraente que poderá fortalecer a mudança geracional e a fixação da população rural”.

Posteriormente, José Carlos Caballero, diretor técnico do Departamento de Projetos da ASAJA, explicou aos presentes ‘O papel das associações, instituições e cooperativas no projeto Resiliência da Vida’. Caballero sublinhou que “é fundamental a prevenção desta bactéria, com uma gestão adequada da cultura e manutenção do estado sanitário das plantações” e acrescentou que “é essencial a participação em redes de alerta e detecção precoces em caso de aparecimento de qualquer foco para prevenir a sua propagação e reduzir, se for caso disso, os danos aos agricultores e Administrações que possam ser causados ​​sob a forma de orçamento”, disse o especialista.

A seguir, Vasco Abreu, gerente comercial da Nutriprado, ficou encarregado de fazer a próxima apresentação do dia, intitulada “Cobertura vegetal nas entrelinhas”. O especialista destacou que “a base de leguminosa sequestra nitrogénio com base em 80 U e sequestra carbono em 8T por hectare”. Terminada a sua intervenção, foi a vez de Filipa Tereso e da apresentação ‘A biodiversidade funcional como ferramenta de limitação de pragas’.

Por fim, realizou-se uma mesa redonda em que José Maria Falcão, membro da Associação Interprofissional da Fileira Olivícola (AIFO) actuou como moderador e em que também participou José Calado, director regional da Agricultura Manuel Barrera (Charqueirão) Pedro Fevereiro (Innov Plant Protect), e Ricardo Miguelañez (Comunicação Agroalimentar).

Durante a palestra foram levantadas algumas questões como as principais conquistas da Life Resilience nestes quatro anos de trabalho, em que foram desenvolvidos mais de 10 genótipos de oliveira tolerantes à Xylella, um sistema de boas práticas que aumenta a resistência das culturas lenhosas (oliveiras e amendoeiras), podendo gerar economia nos custos de produção para os agricultores, reduzindo recursos como água, combustível e fertilizantes usados ​​nas explorações e a conscientização de que essa bactéria é um problema ambiental significativo cujo progresso ajudará a mais de 1 milhão de agricultores dos países mediterrânicos.

Outra questão levantada foi a utilização das práticas promovidas pelo projeto como telhados verdes, flora auxiliar, hotéis de insetos e santuários de aves que permitem o crescimento de um grande número de microrganismos e fauna diversificada no cultivo, garantindo assim a presença de predadores naturais que mantêm afastados os principais organismos transmissores da Xylella.

Também foi levantado como o uso intensivo de fertilizantes gera gases de efeito estufa que escapam para a atmosfera e afetam a microfauna do solo causando a perda da biodiversidade. As práticas de Life Resilience, principalmente o uso de coberturas vegetais, bioestimulantes e biofertilizantes, aumentam significativamente a saúde do solo.

Especificamente, Life Resilience tem contribuído para o cumprimento de boa parte das metas estabelecidas pelas Nações Unidas para cada um de seus ODS, como produção e consumo sustentáveis, adoção de medidas urgentes de combate às mudanças climáticas e seus efeitos ou gestão sustentável das florestas, combater a desertificação, travar e reverter a degradação do solo e travar a perda de biodiversidade, entre outros.

De igual interesse entre os membros da mesa redonda foi a implementação de práticas inovadoras de agricultura de precisão para gerir o tratamento nos campos de demonstração do projeto. Para isso, foi utilizada a tecnologia MAP2SOIL, que utiliza sensores de condutividade e GPS para criar mapas de zoneamento de parcelas; voos de drones com câmera térmica, pois as árvores infectadas apresentam temperatura diferente das saudáveis; imagens de satélite para analisar o desenvolvimento das plantas nas explorações; e uma plataforma com dados georreferenciados para os membros da Life Resilience, bem como para os agricultores e empresas que aderiram como parcelas de replicação.

Para encerrar o dia, foram destacadas algumas das ações de divulgação que a Life Resilience tem realizado para divulgar os avanços obtidos, como a divulgação no site, newsletters, mídia digital e impressa, televisão e rádio. Isso conseguiu despertar o interesse de meios de comunicação altamente influentes e a participação dos membros em inúmeras entrevistas. Redes sociais e meios audiovisuais como vídeos também têm sido utilizados, conforme vem sendo divulgado na plataforma da Comissão Europeia de Combate às Mudanças Climáticas (CLIMATE ADAPT).

As colaborações com a Asaja para transferir esses avanços aos agricultores na Espanha e na Europa foram desenvolvidas através de sessões de treinamento para o setor e, finalmente, o projeto foi promovido entre os legisladores, em nível nacional e internacional, para que possam levar em conta futuras políticas que implementem em matéria de sustentabilidade, biodiversidade (Estratégia Europeia para a Biodiversidade) e na futura PAC, que será aplicada brevemente em toda a Europa.

Mais informações sobre LifeResilience em: www.liferesilience.eu.

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