Editorial

A revolução verde e a agricultura inteligente

〈  01 / 06 / 2022 〉

Todos concordaremos que a palavra revolução não tem de ter necessariamente conotação negativa. Quando nos centramos na agricultura, a chamada Revolução Verde, dá-nos desde logo um sinal de modernização de meios, de técnicas culturais e de avanços na investigação.

Paulo Gomes, Diretor

Segundo a wikipédia, a expressão Revolução Verde refere-se à “invenção e disseminação de novas sementes e práticas agrícolas que permitiram um vasto aumento na produção agrícola a partir dos anos sessenta nos Estados Unidos, na Europa e, nas décadas seguintes, noutros países”.

Sabemos que a evolução agrícola das últimas décadas nos coloca hoje perante a necessidade de uma agricultura sustentável, em termos ambientais, sociais e económicos. Ora este objetivo só é possível com a utilização das novas tecnologias advindas da revolução digital, a qual visa uma produção mais eficiente e cada vez mais próxima dos consumidores.

A Revolução Verde culmina também numa agricultura inteligente em crescendo nos últimos tempos, de modo a fazer face às rápidas mudanças ambientais, deterioração dos solos e escassez de água.

Neste contexto torna-se “obrigatório” falar da agricultura 4.0, a qual, com as suas tecnologias inovadoras, evidencia um dos sinais mais claros da agricultura inteligente, a contribuir atualmente para uma nova conceção agrícola, graças à aplicação intensiva de tecnologia de comunicação e de informação. Produzir mais com menos recursos é a missão e o desafio com vista à satisfação dos novos e exigentes padrões de consumo mais sustentáveis.

Falemos também da robotização da agricultura, já que o crescimento demográfico implica um aumento de produção. Mas neste caso, e como não há bela sem senão, é bom não esquecermos que as máquinas inteligentes contribuem para a destruição de empregos em todo o mundo. Há inclusivamente estudos que nos indicam a possibilidade de metade das atividades desenvolvidas hoje por trabalhadores, vir a ser automatizada daqui a duas ou três décadas. A esperança está em outros tipos de ocupação futura, assim as novas gerações puxem pela criatividade.

Diga-se ainda, a Revolução Verde não terá seguramente qualquer efeito se não lhe juntarmos a sustentabilidade ambiental no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC), cujos objetivos figuram quer no Pacto Ecológico Europeu quer na Estratégia do Prado ao Prato.

Para terminar é de sublinhar a importância do tão “badalado” Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o qual todos esperamos que consiga definir e executar os investimentos e reformas necessários para a “boa Revolução da nossa agricultura”.

• Editorial – Revista Voz do Campo, edição de Junho 2022 •

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