Hortofruticultura

A polinização em cerejeiras e os seus polinizadores

A polinização é um processo natural imprescindível a uma produção frutícola de qualidade, à sua Segurança Alimentar e à própria viabilidade económica da fileira (Hoehn et al., 2008; Carvalheiro et al., 2011).

É descrito como um Serviço dos Ecossistemas imprescindível ao suporte e funcionamento dos ecossistemas, sobretudo, dos terrestres, naturais e antrópicos, no qual se enquadra o ecossistema agrícola (Zhang et al., 2007; Garibaldi et al., 2014). É ainda responsável pelo aprovisionamento alimentar em mais de 75% das culturas em todo o mundo (rendimento, qualidade e Segurança Alimentar). Na União Europeia, 84% do sector agrícola depende, parcial ou totalmente, dos Serviços de Polinização resultando em 15 mil milhões de Euros/anuais directos (Vysna et al., 2021). A cerejeira é um destes exemplos, cuja polinização mostra-se ainda mais decisiva, devido à grande maioria das suas variedades exigirem uma polinização cruzada para frutificarem, isto é, requerem pólen proveniente de flores de outras variedades geneticamente compatíveis. No entanto, esta polinização cruzada é, simultaneamente, biótica, ou seja, realizada por organismos vivos – os polinizadores – que transportam o pólen das anteras (órgão do androceu, estrutura reprodutora masculina) de uma flor para o estigma (órgão do gineceu, estrutura reprodutora feminina) de uma outra flor da cultivar a polinizar. Este processo depende expressivamente da comunidade de polinizadores que na nossa biogeografia são os insectos (polinização entomófila), maioritariamente, abelhas silvestres (Ordem: Hymenoptera; Epifamília: Anthophila). O reconhecimento da sua importância tem feito com que os Serviços de Polinização entomófila em cerejeiras tenham recaído, principalmente, nos polinizadores domésticos, as abelhas melíferas (Apis mellifera). No entanto, têm apresentado uma aleatoriedade crescente e significativa na eficiência da sua polinização, comprometendo a produção, a qualidade, a Segurança Alimentar e a rentabilidade deste sector agrícola (…).

→ Aceda ao artigo completo na edição de junho 2022.

Autoria →

Carvalho, Rafael1, 2; Queirós, Filipa3; Sánchez, Claudia3; De Sousa, Rui3; Martins, Maria
do Carmo2
1 FLOWer Lab – Centro de Ecologia Funcional, Universidade de Coimbra (CFE – UC), Calçada
Martim de Freitas, 3000-456 Coimbra, Portugal.
2 Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional – Centro de Competências (COTHN –
CC), Estrada de Leiria s/n, 2460-059 Alcobaça, Portugal.
3 Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P. – Estação Nacional de Fruticultura
Vieira Natividade (INIAV, IP – ENFVN), Estrada de Leiria s/n 2460-059 Alcobaça, Portugal.
Contacto do autor (Rafael Carvalho): pcarv.rafael@gmail.com

Nota: Por opção do autor, a redacção deste documento segue as normas do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1945), anterior ao actualmente em vigor (Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990).

Agradecimentos →

À República Portuguesa e à União Europeia que, através do “Programa de Desenvolvimento Rural 2014 a 2020” (PDR2020) e do “Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural”, respectivamente, viabilizam financeiramente o GO “PoliMax” (PDR2020 – 101 – 031727). À Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) pela bolsa de Doutoramento de Rafael Carvalho (SFRH/BD/140703/2018). Aos proprietários; Ana Gama, Anabela Delgado, Carlos Inácio, Daniel Francisco, Filipe Costa, Filipe Sábio, Humberto Sousa, João Esperança, Jorge Bento, Jorge Soares, José Rafael, Luís Ferreira, Miguel Canha, Nélson Santos, Nuno Campos, Patrique Martins, Pedro Jardim, Ricardo Amaro, Ricardo Dionísio, Ricardo Santos, Rui Maia de Sousa, Tiago Ferreira, que disponibilizaram os seus pomares aos vários trabalhos. Aos técnicos Ana Pina, João Vieira e João Neto pelas ajudas nas análises laboratoriais dos frutos. Aos orientadores Sílvia Castro, João Loureiro e Luísa Gigante Carvalheiro. Aos investigadores Claudia Sánchez, Filipa Queirós, Rui Maia de Sousa, Catarina Siopa, Mariana Castro, Lucie Mota, Daniela Tavares, Hugo Gaspar, Ana Afonso e Helena Castro pelo auxílio nos inúmeros trabalhos de campo e laboratório.

Referências Bibliográficas →

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