Hortofruticultura Rega

O abacateiro, o regadio e os incêndios

Introdução:

O abacateiro é ume espécie presente em Portugal há vários séculos. Sendo oriundo do continente americano, de zonas muito próximos às zonas de onde vieram o milho, o algodão e o feijão, entre outras culturas (Vavilov, 1926), é provável que tenha sido introduzido em Portugal aproximadamente na mesma época em que foram introduzidas essas outras espécies.

Porém, tem vindo a ser tratado como uma espécie exótica, enquanto as outras espécies referidas não o são. Além disso, quando hoje se fala de abacateiro, associa-se imediatamente a cultura a um elevado consumo de água. A partir de aí fica instalada a fobia ao abacateiro.

É verdade que o abacateiro é uma cultura de regadio, particularmente associado às novas tecnologias de rega. Um dos primeiros pomares instalados no Algarve, (entre 1973 e 1975), com rega localizada, foi de abacateiros (Galego et al., 2021). Desde então, a área foi crescendo muito lentamente, atingindo os 300 ha por volta de 2010, data a partir da qual se intensificou a sua expansão, acompanhando uma tendência semelhante em muitos outros países (Figura 1). Mesmo assim, a produção europeia de abacate é insignificante no contexto mundial e a Europa importa a maior parte dos abacates que consome.

Figura 1 – Evolução da produção de abacates a nível mundial e em cada um dos continentes (Fonte: FAO – http://faostat.fao.org)

O “consumo exagerado de água” do abacateiro

Um dos principais argumentos contra a cultura do abacateiro é o alegado enorme consumo de água. Embora seja realmente exigente em rega, não suportando períodos de seca, também é muito suscetível ao encharcamento, não podendo ser regada em excesso. Por isso, a maioria dos pomares de abacateiro estão equipados com modernos sistemas de rega que permitem dar à planta a água que ela necessita, mas não mais do que isso.

As necessidades de rega do abacateiro estão estudadas há muitos anos. No fascículo “Irrigation and Drainage Paper n.º 56 da FAO: Crop Evapotranspiration – (guidelines for computing crop water requirements)” (Allen et al., 1998), são apresentados os coeficientes culturais de diversas culturas, incluindo o abacateiro, não se inferindo que esta cultura tenha necessidades de rega mais elevadas que as de outras fruteiras lenhosas (Anexo 11).

Em termos práticos, a determinação das necessidades de rega são calculadas em função dos valores da evapotranspiração cultural (ETc) que representam a soma da transpiração das plantas com a evaporação da água do solo (…).

→ Leia o artigo completo na edição de julho 2022.


Autoria:
Amílcar Duarte•1,2, Tomás Magalhães•1,2, João Duarte•2, Diamantino Trindade•3
1• MED-Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento,
2• Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Campus de Gambelas, 8005-139 Faro
3• Viveiro Mil Plantas, Lda, Estoi 8005-449 Faro
Referências bibliográficas →

AgroCabildo, sem data. Necesidades de riego en los aguacates: aplicación para cítricos y olivos. [WWW Document]. URL https://www.agrocabildo.org/necesidad_riego_aguac_citrico.pdf

Allen, R.G., Pereira, L.S., Raes, D., Smith, M., 1998. Crop evapotranspiration, FAO Irrigation and Drainage Paper. FAO. https://doi.org/10.3390/agronomy9100614 DGADR, 2018. Dotações de referência para rega em Portugal Continental.
DGADR, ABACASUL, DRAPAlgarve, INRB, 2010. Produção integrada da cultura do abacateiro. Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, Lisboa.
Galego, D., Fernandes, I., Garcia, J., Duarte, A., 2021. Contributos da tecnologia para a sustentabilidade da rega na fruticultura do Algarve. Rev. da Assoc. Port. Hortic. 140, 18-20.

Gardiazabal, F., Magdahl, C., Mena, F., Wilhelmy, C., 2003. DETERMINACIÓN DEL COEFICIENTE DE CULTIVO ( KC ) PARA PALTOS CV . HASS EN CHILE ., em: Proceedings V World Avocado Congress. pp. 329–334.

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Vavilov, N.I., 1926. Öåíòðû ïðîèñõîæäåíèÿ êóëüòóðíûõ ðàñòåíèé (Tsentry proiskhozhdeniya kulturnykh rastenii). Leningrad. USSR. (In Russian).

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