Editorial

A cultura do sabugueiro e a reorganização dos espaços rurais

O “ouro negro” é um termo muito conhecido para os lados do Vale do Varosa, estando o seu significado ligado à cultura do sabugueiro.

〈 04 / 08 / 2022 〉

Paulo Gomes, Diretor

Esta região contabiliza várias centenas de produtores com idades na sua maioria superior a 60 anos, fator que representa uma grande ameaça à cultura, daí a importância de ser valorizada de forma a tornar-se atrativa para as classes mais jovens.

Nas páginas centrais da Revista Voz do Campo, edição de agosto contamos-lhe tudo sobre a cultura do sabugueiro, sem esquecer a intervenção da associação Inovterra que há uma década tem vindo a trabalhar na sua valorização para que não seja vista apenas como uma matéria-prima incorporada noutros produtos.

Falamos também de um projeto do PDR 2020, que terminou no final do ano passado – GO SAMBUCUSVALOR – envolvendo diversos parceiros para a criação de produtos minimamente transformados. Recorde-se que os resultados deste projeto mostram que a baga pode ser valorizada de forma integral, por exemplo combinando a preparação de sumo com o aproveitamento do resíduo (bagaço) resultante da sua preparação. Deste obtém-se um pó que pode ser adicionado a iogurtes, papas, água, ou pode ser integrada na preparação de sobremesas e produtos de pastelaria, entre outros.

Nesta reportagem fazemos uma abordagem à EuroRegião do Sabugueiro que junta instituições da Galiza (Espanha), e do Norte de Portugal, incluindo universidades, onde o sabugueiro é uma planta familiar. Ainda a devida referência à Regiefrutas, uma cooperativa responsável pelo ponto de viragem a nível da exigência em termos de segurança alimentar.

Constatamos que a cultura do sabugueiro tem apresentado uma grande capacidade de adaptação às condições naturais do território português, mas apresenta como grande dificuldade a valorização no produtor, ou seja, o preço pago ao produtor ainda é baixo para que a cultura volte a ser atrativa. Por outro lado sendo a colheita toda ela feita manualmente, e apesar de por enquanto ter sido possível assegurar mão de obra, não se sabe como será de futuro, apesar da convicção de que a cultura do sabugueiro pode ter no futuro (se é que não tem já) um papel muito importante na reorganização dos espaços rurais.

Editorial – Revista Voz do Campo, edição de Agosto/Setembro 2022 •

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