A categoria dos bioestimulantes inclui uma grande diversidade de substâncias e, sem dúvidas, o extrato de algas marinhas tem sido uma das mais estudadas e utilizadas nas últimas décadas. Existem muitos tipos diferentes de algas marinhas, cada uma com suas características e utilizadas para diferentes fins.
É comum acreditar que os benefícios agronómicos dos bioestimulantes à base de extrato de algas marinhas são atribuídos à presença de hormonas vegetais. No entanto, trata-se de uma ideia errada que necessita ser desmistificada.
Na realidade, a verdadeira origem dos efeitos benéficos reside no modo de ação dos complexos biocompostos presentes no extrato, os quais estimulam e desencadeiam processos naturais dentro das plantas. Com o objetivo de fundamentar este modo de ação, o Consórcio Europeu da Indústria de Bioestimulantes (EBIC), integrado por uma rede de experts de diferentes empresas das quais a Rovensa Next faz parte, publicou um documento técnico intitulado “Novos Conhecimentos sobre o Modo de Ação dos Bioestimulantes à Base de Algas Marinhas”. Este artigo aborda uma nova compreensão sobre como esses bioestimulantes atuam nas plantas, divulgando uma análise aprofundada dos compostos biológicos presentes nos extratos de algas marinhas e como eles influenciam os processos metabólicos e a expressão genética das plantas. Após uma extensa revisão bibliográfica, a EBIC concluiu que ao longo dos últimos 10 anos, muitas são as publicações científicas que têm demonstrado que não são as hormonas vegetais as responsáveis pelos efeitos bioestimulantes observados nas culturas quando se aplicam extratos de algas marinhas às plantas.
Estudos recentes provam que as biomoléculas naturalmente presentes nos extratos de algas marinhas, como os complexos carboidratos e os polifenóis, modulam a expressão genética e induzem alterações metabólicas nas plantas tratadas, aumentando assim a eficiência no uso de nutrientes, a tolerância ao stress abiótico, entre outros efeitos benéficos.
Esses mecanismos moleculares são completamente independentes de quaisquer hormonas de crescimento vegetal que possam (ou não) estar presentes nos extratos de algas marinhas. A EBIC, refere também a necessidade da realização de mais investigação nesta área para esclarecer completamente as alterações e as vias metabólicas induzidas pelos extratos de algas marinhas ao nível molecular.
Ascophyllum nodosum
Ascophyllum nodosum, pertencente à família Fucaceae, é uma macroalga castanha que cresce e desenvolve-se apenas no hemisfério norte; Oceano Atlântico e Mar do Norte.
Na Irlanda, o país de origem do Ascophyllum nodosum utilizado na formulação do fitoalgas green®, esta espécie desenvolve-se principalmente na costa oeste, uma área da costa irlandesa protegida da rota dos petroleiros, com um baixo nível de poluição devido ao baixo desenvolvimento industrial.
É, sem dúvida, a espécie mais estudada e utilizada em agricultura como matéria-prima para obtenção de extratos, devido à característica de possuir um conjunto importante de nutrientes na forma orgânica que, para além do efeito nutricional, são também caracterizados por terem na sua composição componentes ativos que estimulam o crescimento das plantas e os processos de tolerância nas plantas aos efeitos produzidos pelos fatores adversos.
A Rovensa Next após décadas de estudo e investigação conseguiu descrever o modo de ação dos seus bioestimulantes à base do extrato de Ascophyllum nodosum:
Após a aplicação do fitoalgas green®, desencadeia-se uma rápida resposta de sinalização que é transferida através de todas as estruturas da planta (resposta sistémica). O sinal afeta e modifica o comportamento das células provocando alterações fisiológicas, adaptações da membrana, síntese de proteínas de resistência ao stress, entre outros efeitos.
É promovido um processo metabólico de produção de carboidratos mais intenso, “alertando” para a necessidade de a planta reagir aos fatores ambientais que a rodeiam e reforçar os seus tecidos. Assim a planta fica mais fortalecida e o seu metabolismo é otimizado na expetativa de uma possível ocorrência de stress, sem negligenciar o seu desenvolvimento normal de forma a estar mais preparada.
Desta forma, as plantas respondem de forma mais rápida e eficiente (menor exigência energética) mitigando-se o impacto das condições adversas.
Este modelo comportamental de respostas induzidas pela bioestimulação é conhecido como efeito priming.

Num futuro imediato, os fenómenos climatológicos extremos são um dos principais riscos na atividade agrícola, impactando negativamente nas culturas devido ao aumento do stress abiótico. Como sabemos, esta situação reflete-se nas preocupações que fazem parte do dia a dia dos agricultores um pouco por todo o mundo. A única maneira de continuarmos a produzir alimentos de qualidade e de forma rentável, passa pela otimização dos diferentes recursos ao nosso alcance e pela mitigação dos efeitos provocados pelas alterações climáticas. A adoção de novas tecnologias e a inovação de produtos, onde os bioestimulantes desempenham um papel fundamental, são hoje ferramentas essenciais para o Futuro da nossa agricultura.
- Mais informações em: Rovensa Next
→ Leia o artigo completo na Revista Voz do Campo: edição de junho 2024
Autoria: María Emilia Paliza Cuartero – Iberia Bionutrition Portfólio Expert
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