Durante o Seminário Internacional sobre Aguardentes, Territórios e Sustentabilidade que decorreu dia 15 de novembro do ano passado, enquadrado no evento denominado “Aguardente DOC fest Lourinhã”, a recente intervenção de Rubina Vieira, responsável pelo Gabinete de Ações Educativas no Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato do Arquipélago da Madeira, trouxe à tona a rica história e a relevância do rum da Madeira, uma das bebidas espirituosas mais emblemáticas da região.

Rubina Vieira, Gabinete de Ações Educativas no Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato do Arquipélago da Madeira

No seu discurso, destacou o rum, mas também fez questão de enfatizar a importância de associar produtos de diferentes regiões do país, incluindo as ilhas.

História da Cana-de-Açúcar na Madeira

Desde o início do povoamento da ilha em 1419, a cana-de-açúcar tem desempenhado um papel fundamental na economia e na cultura da Madeira. Introduzida pelo Infante Dom Henrique, a cana-de-açúcar rapidamente se tornou uma das primeiras culturas da ilha. Por volta de 1466, a Madeira já era conhecida como a “ilha do ouro branco”, devido à sua produção de açúcar de alta qualidade, exportado para várias regiões da Europa.No entanto, a partir do século XVI, a produção de açúcar enfrentou diversos desafios, como a exaustão do solo e o surgimento de pragas, além da concorrência do Brasil. Isso levou a uma transição económica para a produção de vinho, que dominou a ilha entre os séculos XVII e XIX.

Renascimento e Evolução do Rum da Madeira

O renascimento da produção de cana-de-açúcar começou, segundo Rubina Vieira, no final do século XIX, apesar dos desafios climáticos e das crises económicas. Em 2011, a criação da Indicação Geográfica Rum da Madeira marcou um ponto de virada, reposicionando a aguardente tradicional como um produto premium no mercado global.

Produção e Características do Rum da Madeira

O rum da Madeira, especialmente o rum agrícola, é produzido exclusivamente a partir do sumo fresco da cana-de-açúcar. Com teor alcoólico mínimo de 37,5%, o rum envelhecido deve maturar pelo menos três anos em cascos de carvalho. Atualmente, conta-nos Vieira, a região compreende cinco produtores ativos, que enfrentam desafios como a orografia acidentada e a fragmentação das terras de cultivo.

Cultura e Identidade

“A produção de rum na Madeira não é apenas um negócio; é uma questão de identidade cultural. A tradição da Poncha, o famoso coquetel feito com rum, é um símbolo da herança da ilha. Os produtores locais, muitas vezes enfrentando condições adversas, continuam a manter viva a tradição da cana- -de-açúcar e do rum, garantindo que este produto único permaneça um emblema da Madeira”, considera Rubina Vieira. A história do rum da Madeira é um testemunho da resiliência e do espírito inovador do povo madeirense, que, através de séculos de desafios, conseguiu transformar um produto tradicional numa bebida espirituosa reconhecida mundialmente.

Durante o Seminário Internacional sobre Aguardentes, Territórios e Sustentabilidade que decorreu dia 15 de novembro do ano passado, enquadrado no evento denominado “Aguardente DOC fest Lourinhã”.

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