O tomate de indústria apresenta elevada importância económica e social no setor agrícola.
A atividade é caracterizada por um sistema de cultura de elevada intensidade fitotécnica.
A cultura é quase sempre praticada em sistema de monocultura. A sua irrigação é realizada com rampa de polietileno (PE) com gotejadores embutidos (fita de rega) com uma duração anual, obrigando à sua retirada e reciclagem no final da campanha. Deste modo, anualmente, é necessário reciclar elevadas toneladas de plástico, requerendo grandes quantidades de energia para produzir, transportar, colocar e retirar essa mesma fita. A rega enterrada (RE) com tubo, é muito utilizada em culturas perenes; contudo, em Portugal, são inexistentes ou relativamente escassos os trabalhos de experimentação para avaliação da tecnologia da RE, aplicada a culturas horto-industriais, como o tomate de indústria. A existência no mercado de rampas que incorporam emissores anti-entupimento pelas raízes, veio retomar o interesse pela aplicação desta tecnologia em maior escala.
A RE (Figura 1) apresenta inúmeras vantagens: maior rendimento na plantação mecânica; menores perdas de água por evaporação à superfície; maior eficiência de captação da água pelo sistema radicular; menor tensão mecânica na rampa; menor impacto do vento; maior facilidade de mecânica. A RE poderia ser utilizada num sistema de agricultura de conservação, associando-se as mobilizações mínimas, as rotações e/ou a instalação de culturas de cobertura. Este sistema é seguido em outras regiões de produção, como é o caso da Califórnia. O objetivo deste trabalho consistiu na avaliação tecnológica de uma rampa de rega enterrada (RE) com emissores anti-entupimento, comparativamente ao sistema de rega com rampa colocada à superfície do solo (RS). (Figura 2).
Campo de experimentação e metodologias
O ensaio foi instalado numa parcela da ESAS, situada no concelho de Santarém. O solo, da ordem dos Cambissolos, apresenta textura de campo grosseira, pH 7,5; 1,6% de MO; 657mgkg-1; 90 mgkg-1 K2O. A variedade utilizada foi a “Heinz 1015”. O ensaio decorreu numa primavera com alguma precipitação e um verão de temperaturas amenas (Quadro 1).

A rega foi efetuada com apoio da plataforma “Irristrat”, com avaliação do teor de água no solo através de 2 sondas capacitivas e cálculo da evapotranspiração cultural. O volume de água aplicado em cada tratamento foi quantificado por 2 caudalimetros (Figura 2). Um programador, (“Agronic400”) foi utilizado na programação da rega. O sistema RE, foi colocado a 20 cm de profundidade, considerando a textura do solo. Em ambos os tratamentos (RE e RS) a dotação dos gotejadores foi de 3L/hm. No sistema RS foi utilizada uma fita de rega marca “Rivulus” com espaçamento entre gotejadores de 30 cm; na RE foi utilizado um tubo com gotejadores auto compensante, com tecnologia “ROOTGUARD”, para prevenção de intrusão de raízes, com espaçamento entre gotejadores de 40 cm.
A colocação do sistema de RE foi iniciada a 24 de abril. A mobilização do solo foi superficial, não havendo reviramento de leiva, nem mobilização em profundidade. A plantação reaizou-se em linha simples, no dia 26 de abril. A distância entre plantas na linha foi de 0,20m, a entrelinha de 1,5m, correspondendo a 33 333 plantas/ha. Procedeu-se a uma rega inicial, através do sistema por aspersão, com o objetivo de vencer a crise de transplantação. A fertirrigação foi realizada com 250kgN/ha; 121kgP2O5/ha; 340kgK2O /ha; 156CaOkg/ha; 83 MgOkg/ha. Foram realizados 6 tratamentos com fungicidas e 2 tratamentos com inseticidas. O esquema experimental consistiu em 8 parcelas aleatórias, de 24m2, com 4 repetições por tratamento. Avaliou-se o efeito dos tratamentos na eficiência hídrica, no desenvolvimento das plantas, na biomassa, na produtividade e qualidade dos frutos para indústria (…).
→ Leia a reportagem completa do setor do tomate na Revista Voz do Campo – edição de abril 2025, disponível no formato impresso e digital.
Agradecimentos:
Ao Laboratório de Solos da ESAS, à empresa CAUDAL na pessoa do Sr. Carlos e à HIDROSOPH na pessoa do seu gerente e ao Eng.º Dinarte.
Autoria: Augusto Tomás Aguiar Estevão¹, Manuel Mendes de Sousa Adaixo¹, Artur José Guerra Amaral¹,²
¹ IPS-ESAS – Instituto Politécnico de Santarém. Escola Superior Agrária de Santarém
² CIEQV – Centro de Investigação em Qualidade de Vida



