A produção de forragens está intimamente ligada à dieta de ruminantes, sejam de carne ou de leite. No que respeita fundamentalmente a este último, a sua produção, assim como o seu consumo, têm sido conotados não apenas como altamente poluentes para o meio ambiente, mas também com os possíveis malefícios para a saúde do consumidor.
Sabendo, ainda que muitas das críticas imputadas ao sector sejam injustas e não alicerçadas em bases científicas sólidas, que a imagem do sector da produção de leite já teve melhores dias, não é de todo errado considerar que a produção de forragens sofrerá também, no futuro, diversos condicionalismos e desafios.

A produção de forragens conservadas – silagens, no que respeita à produção de leite, e em menor grau à produção de carne, pode representar parte significativa da ingestão total de Matéria Seca do animal. Em Portugal, essa produção é bastante estável, seguindo a produção média anual de leite, também ela de alguma forma inalterável, tendo subido apenas 1,9% nos últimos 12 anos.
Estima-se que se produzam no nosso país cerca de 50 a 60000 hectares de silagem de milho, e a mesma área em silagens de erva e consociações.
Sabendo que a produção eficiente de silagens pode de alguma forma contrabalançar as emissões de carbono e metano para a atmosfera, contribuindo para um sequestro do primeiro da atmosfera, a produção das mesmas deverá estar, no futuro próximo, assente em critérios diversos de sustentabilidade. Estes critérios assentam em diversos pontos, que deverão ir desde a eficiência da utilização da terra, à eficiência alimentar, passando pelo bem-estar animal, do trabalhador, e não menos importante, pelo rendimento económico do produtor.

A produção de forragens estará então condicionada a diversos fatores, dos quais destacamos alguns:
– Produção no campo;
– Maneio;
– Preservação e manutenção da qualidade nutricional.
Os desafios apresentados à produção de forragens no campo correspondem essencialmente a dois pontos, ligados às alterações climáticas e a aspetos correlacionados com sustentabilidade. No primeiro podemos enquadrar temas como a pluviosidade, principalmente a escassez dela, que podem levar à alteração dramática da paisagem agrícola em determinadas regiões. Veja-se o caso do Sul de Espanha, onde desde há dois anos, o cultivo de milho para grão e/ou silagem está altamente condicionado pela escassez de água, onde a sua utilização se cinge apenas ao consumo humano. Outros condicionantes serão a temperatura ambiente, as amplitudes térmicas, ou os períodos mais ou menos alongados entres secas e cheias; todos estes pontos criarão stress e problemas à produção eficiente de forragens. Quando falamos de critérios de sustentabilidade, os desafios virão sobretudo da capacidade de utilização de terra, da possibilidade de utilização dos recursos hídricos, e das limitações impostas às emissões, por hectare de terra cultivada. Assim sendo, a seleção de variedades para produção de forragens mais adaptadas a zonas mais extremas de produção pode ser uma vantagem quando comparadas com as tradicionais.
A seleção do ponto ótimo de colheita é condição essencial para retirarmos todo o potencial produtivo de uma determinada espécie forrageira. Mais frequentemente veremos uma maior dificuldade na colheita, pelo que um correto maneio de todo o processo de produção será preponderante na qualidade e produção de Matéria Seca por hectare.
O último ponto relevante passa pelo controle do processo fermentativo. As alterações climáticas que já se sentem, e as ainda mais danosas que se farão sentir, modificarão a população epifítica da planta, e a grande variedade de microrganismos que serão menos preparados a este ambiente, dificultarão todo o processo de fermentação (…).
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Autoria: Luís Queirós, Global Category Manager Forage Additives Lallemand Animal Nutrition

