Nos sistemas de produção de ruminantes em pastoreio extensivo típicos dos ambientes mediterrânicos, do Sul de Portugal, as forragens conservadas desempenham um papel crucial na alimentação animal, especialmente durante os períodos em que as pastagens naturais são escassas ou de qualidade inferior. São por isso essenciais para a sustentabilidade destes sistemas nestes ambientes, garantindo uma alimentação equilibrada e contínua ao longo do ano.

Nos últimos anos agrícolas as forragens têm vindo a assumir maior relevância devido ao aumento da irregularidade e incerteza da produção pratense que decorre, principalmente, da redução da precipitação e/ou da sua deficiente distribuição ao longo do ciclo cultural.

Neste contexto de alterações climáticas e tendo em conta a variabilidade espacial das condições edáficas, importa avaliar nos vários agroecossistemas com predomínio da pecuária extensiva, o valor agronómico (produção de biomassa) e o valor nutritivo (proteína bruta) das consociações forrageiras comerciais, para apoio à decisão do produtor agropecuário.

Figura 1. Consociações forrageiras, empresa distribuidora e composição específica

Assim, para tentar dar resposta a este desígnio, no ano agrícola 2023/24 instalou-se na região do “Campo Branco”, na Herdade da Lagoa da Mó – Castro Verde, um ensaio com cinco consociações forrageiras (Figura 1), em faixas, cada qual com 984 m2 (6m×164m), sujeitas às condições climáticas (temperatura e precipitação) e ao itinerário técnico indicados na Figura 2. Marcaram-se quatro repetições, nas quais se recolheram amostras em duas datas de corte: 04/05/2024, com as gramíneas no espigamento/ântese e as leguminosas em plena floração; 21/06/2024, após a autorização de corte determinada pela Estrutura Local de Apoio (ELA) de Castro Verde, Vale do Guadiana, Piçarras e Cuba (Edital n.o 3/2024), que foi 17 de junho. Em ambas as datas foi determinada a produção de biomassa (kg MS/ha, após secagem em estufa a 65oC até peso constante) e o teor de proteína bruta (%) pelo método de Kjeldahl. Realizou-se a análise de variância e o teste de comparação de médias (LSD).

Figura 2. Registo diário da precipitação e da média das temperaturas máximas e mínimas de setembro 2023 a junho 2024 (COTR, 2024) e operações culturais

A produção de biomassa média das consociações forrageiras variou entre 13148 e 11226 kg MS/ha na primeira data de corte e entre 9532 e 8570 kg MS/ha na segunda data (Figura 3). As quebras da primeira para a segunda data foram, em média de 2662 kg MS/ha. Verificaram-se diferenças estatisticamente significativas (p<0,05) nas produções de biomassa obtidas pelas várias consociações, tanto na primeira como na segunda data de corte. O valor mais elevado na primeira data de corte, estatisticamente diferente dos restantes, foi obtido pela consociação ‘Top feno 2’, a qual apresentou a maior quebra de produção da primeira para a segunda data de corte (menos 4578 kg MS/ ha). Por outro lado, a consociação ‘Anual forridena’, registou a menor perda (1733 kg MS/ha) e simultaneamente proporcionou o maior valor de produção na segunda data de corte (9707 kg MS/ha), estatisticamente diferente das restantes (Figura 3). A consociação ‘Naturamix strigosa’ mostrou um comportamento idêntico a ‘Anual forridena’ (…).

→ Leia este e outros artigos completos na Revista Voz do Campo edição de março 2025, disponível no formato impresso e digital.

Autoria: Manuel Patanita¹,²,³, José Dôres¹, José Ferro Palma¹,², António Colaço4, Fernando Rosa4

¹ Instituto Politécnico de Beja, Escola Superior Agrária, Campus do IPBeja Apartado 6155, 7800-295 Beja, Portugal.
² MED – Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas & CHANGE – Instituto para as Alterações Globais e Sustentabilidade, Univer- sidade de Évora, Pólo da Mitra, Apartado 94, 7006-554 Évora, Portugal.
³ GeoBioTec, Universidade Nova de Lisboa, Campus da Caparica, 2829-516 Caparica. Portugal.
4 Associação de Agricultores do Campo Branco, Avenida dos Bombeiros Voluntários, 13, 7780-122 Castro Verde, Portugal.

Correspondência: mpatanita@ipbeja.pt