Os sistemas de tratamento de águas residuais evoluíram ao longo dos séculos de modo a proporcionar maior salubridade para a população humana.
A Civilização do Vale do Indo (2500 a.C.) já possuía sistemas primitivos de drenagem, enquanto o Império Romano desenvolveu aquedutos e condutas que permitiam a reutilização das águas das termas. Não obstante, foi no século XX que surgiram os primeiros sistemas de tratamento biológicos de águas residuais, sistemas de lamas ativadas criados por Ardern e Lockett em 1913, tal como os conhecemos hoje. Atualmente, os sistemas de tratamento de águas residuais garantem ainda princípios de circularidade em verdadeiras fábricas de água.
Nas estações de tratamento de águas residuais (ETAR), podem existir diversas fases de tratamento, onde são removidos contaminantes de forma sucessiva até atingir a qualidade de água pretendida: a) pré-tratamento e tratamento primário, b) tratamento secundário e c) tratamento terciário. Nas fases de pré- -tratamento e tratamento primário são removidos sólidos grosseiros, de areias, de óleos e gorduras, de sólidos sedimentáveis e são realizadas, caso necessárias, outras correções, nomeadamente de pH. Na fase de tratamento secundário os sistemas têm o objetivo de reduzir a matéria orgânica biodegradável presente. Por fim, é na fase de tratamento terciário que se procede à remoção de outros contaminantes, tais como: compostos azotados e fosfatados, sólidos suspensos residuais, substâncias orgânicas não biodegradáveis e remoção de microrganismos patogénicos. A combinação de processos em cada uma das fases garante que a qualidade de água à saída da ETAR cumpre os requisitos legais necessários para o fim a que se destina.
Por forma a potenciar a reutilização de águas residuais, numa perspetiva de águas para reutilização (ApR, de acordo com o definido no Decreto-Lei n.º 119/2019), são apontadas novas tecnologias de tratamento, como os processos de membranas (Microfiltração, Ultrafiltração, Osmose Inversa) que são utilizados por exemplo na Dessalinização e ainda a desinfeção por ação da radiação ultravioleta (UV).
Estes processos e tecnologias, não sendo realmente novos, ganham especial destaque no complemento do tratamento, no propósito de atingir a qualidade da água necessária para a sua utilização futura, numa perspetiva de adequação da qualidade em função do objetivo (fit for purpose). Estes tratamentos avançados permitem uma reutilização de água que pode atingir a qualidade necessária para o consumo humano, como é o caso em Singapura, onde a produção de água residual tratada para consumo humano é uma realidade desde 2002, garantindo os padrões de qualidade da Organização Mundial de Saúde (Singapure’s National Water Agency, 2025). A reutilização de águas residuais tem sido adotada por diversos países como uma estratégia para reduzir o consumo de água potável e garantir a sustentabilidade hídrica. Um exemplo é Israel, líder mundial na gestão de águas residuais, que reutiliza 87% da sua água residual tratada, especialmente na agricultura (CBS, 2021).
Assim, a reutilização de água para a agricultura é uma realidade que pode ser atingida, desde que o tratamento seja adequado e seja efetuada uma gestão integrada do recurso Água.
Serão as ApR a solução para a gestão da água?
Portugal reutiliza apenas 0,4% da água residual tratada, equivalente a cerca de 2,9 milhões de m³ por ano, 26% dos quais é decida a terceiros (ERSAR, 2023), estes valores permitem identificar claramente uma oportunidade (…).
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Financiamento: O projeto H2OEfficient é financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian
Autoria: Artur Saraiva, Raquel Saraiva, Margarida Oliveira
Escola Superior Agrária – Instituto Politécnico de Santarém
CERNAS – Research Centre for Natural Resources, Environment and Society
Referências: Consultar artigo



