Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Dr. Luís Rosinha no âmbito da Feira Nacional de Olivicultura e do 8º Congresso Nacional do Azeite.
De 22 a 25 de maio, Campo Maior volta a afirmar-se como capital da olivicultura nacional com a realização da Feira Nacional de Olivicultura, um evento que celebra o setor Olivícola e Oleícola português, dinamizando a economia local e reunindo profissionais de todo o país. Em destaque nesta edição está o 8.º Congresso Nacional do Azeite, que terá lugar nos dias 22 e 23 de maio no Centro Cultural de Campo Maior, e promete trazer à discussão os principais desafios e oportunidades da fileira, com mais de 30 oradores nacionais e internacionais.

A Revista Voz do Campo em entrevista com Luís Rosinha, presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, dá a conhecer as ambições do município com este evento, o impacto para o território e o papel de Campo Maior na promoção de um dos produtos mais emblemáticos da agricultura portuguesa: o azeite.
O regresso da Feira Nacional de Olivicultura a Campo Maior, quase 20 anos depois, tem um forte simbolismo. O que representa para o concelho este acontecimento?
Podemos dizer que é um momento de grande alegria para o concelho.
É um evento que temos muita honra em voltar a receber após 16 anos. O seu regresso vai permitir que Campo Maior volte a assumir um lugar preponderante no panorama da olivicultura a nível nacional. Por toda a sua história, penso que é um lugar que é seu por direito e este é mais um reconhecimento do papel histórico de Campo Maior e dos campomaiorenses neste setor. É, no fundo, uma questão de identidade.
Quais são os principais objetivos da Feira Nacional de Olivicultura?
A Feira Nacional de Olivicultura (FNO) é uma oportunidade única para explorar a riqueza e diversidade nesta área e para discutir desafios e tendências. No fundo, este certame tem, acima de tudo, o papel de valorizar a olivicultura nacional, e em particular o azeite português.
É uma oportunidade para reunir os profissionais do setor, quer sejam produtores, técnicos, ou investigadores, no sentido de partilhar ideias e novidades que afetam esta atividade e de identificar os desafios que temos pela frente.
Também dá visibilidade às empresas e aos produtos, promove boas práticas e aproxima as pessoas deste mundo. A FNO é um ponto de encontro onde se pretende construir o futuro.
Esta edição traz consigo, pela primeira vez, o Congresso Nacional do Azeite. Como surgiu esta articulação e que impacto espera que tenha na valorização do setor a nível local e nacional?
O Congresso é uma iniciativa do CEPAAL – Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo, entidade que organiza também a FNO em parceria com os Municípios que a acolhem.
Assim, a possibilidade de acolhermos a edição 2025 do Congresso Nacional do Azeite, um dos eventos com mais relevância em Portugal nesta área, em paralelo com a feira era uma oportunidade que não podíamos deixar passar.
São dois eventos que acabam por se complementar e por se valorizar mutuamente.
Campo Maior tem uma ligação histórica ao olival e ao azeite. Que papel assume hoje esta fileira na economia do concelho?
Campo Maior tem uma ligação histórica ao olival e ao azeite muito forte que, atualmente, continua a desempenhar um papel central na economia do concelho.
Felizmente, Campo Maior é um concelho com uma mentalidade empresarial muito forte, muito por força da indústria do café, mas podemos dizer que a agricultura ainda é um dos grandes motores da nossa economia e, nesse sentido, a olivicultura é uma das produções agrícolas com maior peso na economia local, destacando-se como um motor de desenvolvimento económico e social.
A realização da Feira Nacional de Olivicultura e do Congresso Nacional do Azeite em Campo Maior é um reconhecimento desta importância, e do contributo que damos para este setor, colocando o concelho no centro das atenções da fileira oleícola nacional.
O olivoturismo é uma área em crescimento, a par do enoturismo. Como está o município a apoiar ou a estruturar estas formas de valorização turística?
O Município de Campo Maior realizou nos últimos anos um grande investimento em termos turísticos e sabemos que existe cada vez mais interesse neste tipo de turismo mais virado para agricultura, como são os casos que referiu do olivoturismo e do enoturismo.
É com orgulho que digo que temos oferta em ambos os setores.
Ao nível do olivoturismo, contamos há já 25 anos com o Lagar-Museu do Palácio Visconde d’Olivã, um espaço municipal que dá destaque ao papel que a olivicultura e a produção do azeite tiveram, desde os tempos mais remotos, na vila de Campo Maior. Está instalado num antigo lagar de azeite, com todos os equipamentos característicos de um lagar do início do século XX, e é um espaço que oferece uma experiência imersiva onde os visitantes podem inclusivamente provar alguns produtos locais ligados ao azeite.
No âmbito do enoturismo, destaca-se a Adega Mayor, propriedade do Grupo Nabeiro – Delta Cafés, que oferece experiências como visitas guiadas à vinha e à própria adega, assim como atividades que proporcionam aos visitantes uma imersão na cultura vinícola
Além disso, o município tem investido na valorização dos empresários campomaiorenses e muitos deles, nomeadamente aqueles mais ligados à restauração, integram os azeites e os vinhos locais nas experiências que oferecem aos visitantes.
Temos, por isso, uma oferta turística diversificada e autêntica, que valoriza muitos os recursos endógenos.
A região do Alentejo é responsável por cerca de 90% da produção nacional de azeite. Como vê o papel de Campo Maior neste contexto regional?
Dentro deste contexto, Campo Maior assume um papel relevante, não apenas pela sua tradição, mas também pela qualidade que caracteriza a nossa produção.
Temos explorações modernas, e produtores que apostam na excelência, quer seja em todo o processo de produção, quer seja ao nível do produto final.
Além disso, com iniciativas como a Feira Nacional de Olivicultura e o Congresso Nacional do Azeite, Campo Maior reforça a sua posição nesta área, contribuindo com o seu grão de areia, que é significativo, para o prestígio do azeite alentejano a nível nacional e internacional.
Que legado gostaria que esta edição da Feira Nacional de Olivicultura deixasse para o futuro da fileira olivícola de Campo Maior e da região?
Gostava que, no final desta FNO, todos saíssemos com um sentimento de confiança e visão para o futuro. Um futuro que terá sempre de contar com Campo Maior, que com este evento reafirma a sua importância nesta fileira.
Que seja o início de um tempo de entreajuda e crescimento, não só para Campo Maior, mas também para todo o setor a nível nacional.
A Revista Voz do Campo é media partner oficial do evento e vai estar presente para dar VOZ aos verdadeiros protagonistas.
Conteúdo Relacionado:




One thought on “Campo Maior reafirma-se como a capital da Olivicultura nacional”
Comments are closed.