Luís Alcino da Conceição¹, Teresa Carita², Nuno Simões², João Paulo Carneiro², Benvindo Maçãs², Rute Santos³, Noémia Farinha³, Luís Silva³, Susana Dias³, Luís Loures³, Paulo Ferreira³, Vera Barradas³
¹ Professor Coordenador do IPPortalegre e Coordenador do Projeto
² Equipa INIAV
³ Equipa IPPortalegre
O Projeto ISOmap Forragem (isomapforragem.ipportalegre.pt , youtube.com/watch?v=upXaUdBLq58&t=51s), liderado pelo Instituto Politécnico de Portalegre (IPPortalegre) em parceria com o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), teve como financiamento o programa Alentejo 2020 e como principal objetivo demonstrar o uso de instrumentos em mecanização agrícola – ISOBUS na tomada de decisão do uso de fertilizantes ou fitofármacos em dose fixa ou variável (VRT), promovendo a sustentabilidade dos sistemas de produção de forragens no contexto climático e edafológico da região do Alentejo.
Os ensaios foram realizados na Herdade da Comenda, em Caia (Elvas), iniciados ainda no projeto MechSmart Forages em 2017. Os ensaios incidiram em culturas anuais consociadas (gramíneas e leguminosas) e em culturas em estreme (triticale e azevém), com foco na produção de matéria seca de alto valor nutricional.
Objetivos do Projeto
O projeto teve como foco três pilares fundamentais:
i) Transferência de conhecimento sobre mecanização agrícola e agricultura de precisão, utilizando a norma ISO 11783 (ISOBUS) para aplicação a dose variável de fatores de produção.
ii) Desenvolvimento de itinerários culturais sustentáveis para a produção de forragens, garantindo a gestão eficiente do solo e água.
iii) Criação de uma rede de transferência de conhecimento, unindo investigação, ensino superior e setor agropecuário.
A motivação do projeto baseia-se na importância da produção de forragens para a alimentação de bovinos no Alentejo – com uma percentagem de 44% do efetivo nacional, uma região de clima mediterrâneo, onde a variabilidade climática e a irregularidade das chuvas afetam negativamente a produtividade das pastagens acentuada por fenómenos meteorológicos extremos. O aumento dos custos de alimentação (cerca de 50% dois custos intermédios) e de produção de forragem por via da mecanização com custos da ordem dos 10% só em energia e lubrificantes e a necessidade de maior eficiência técnica com menor impacto ambiental tornam-se desafios que obrigam a soluções inovadoras.
Implementação e Estratégias Utilizadas
1. Sementeira Direta
A sementeira direta foi uma das principais estratégias adotadas no projeto, trazendo benefícios como (Figura 1):
Redução dos custos operacionais com a eliminação de operações de mobilização do solo;
Melhoria da estrutura e consequente fertilidade do solo, minimizando a compactação e atenuando fatores de erosão.
Num solo Pag + Sr com reduzida camada arável conjugada com um grau ligeiro a moderado de pedregosidade do microrelevo do solo a técnica de sementeira direta contribuiu ainda para uma melhor gestão dos dias disponíveis para a realização das operações mecanizadas, assim como para menores custos associados a danos mecânicos causados pelas pedras durante o corte e processamento da forragem.
2. Agricultura de Precisão (AP)
O modelo de adoção da agricultura de precisão foi estruturado em duas fases:
Fase 1 – Análise Preparatória:
Levantamento das características topográficas da parcela e da física e química do solo assentes no uso de sensores de georreferenciação e geoelétricos – de cartas de condutividade elétrica aparente (CEa) (Figura 2).
Figura 2. Distribuição espacial de parte da carta da CEa da parcela e da produtividade MS
Caracterização meteorológica para avaliar a temperatura do ar e do solo, precipitação e teor de humidade.
Definição de zonas de gestão específicas da parcela, ajustando a fertilização, aplicação de fitofármacos e rega garantindo os níveis de rentabilidade da cultura.
Fase 2 – Monitorização do Ciclo de Produção, no que respeita:
Teor de humidade do solo, permitindo o ajuste da rega em momentos críticos.
À evolução do estado vegetativo da cultura e presença de plantas infestantes através de imagens de satélite e drones.
Qualidade bromatológica da forragem, garantindo cortes de colheita nos momentos mais adequados.
3. Tomada de decisão – Aplicação de Fatores em Dose Variável (Figura 3)
Decorrente da georreferenciação da parcela e do estado de evolução da cultura foram tomadas decisões em diferentes momentos para a aplicação de fertilizantes e fitofármacos em dose variável, nomeadamente:
– Herbicida de pré-emergência no controlo de plantas infestantes à sementeira;
– Fertilização azotada nas fases de afilhamento e encanamento da cultura;
– Herbicida de pós-emergência no controlo de plantas infestantes nos ensaios de cultura estreme.
Para qualquer dos processos contribuiu a análise de indicadores vegetativos (NDVI e NDRE) da cultura obtida a partir de técnicas de deteção remota (drone ou satélite) convertidas em mapas de prescrição aplicados por máquinas com ISOBUS – Norma 11783 protocolo de comunicação eletrónica entre tratores, máquinas operadoras e sistemas de gestão agrícolas (Figura 4).
Resultados e Impacto do Projeto
Os ensaios indicaram que, para uma mesma produção de biomassa, a eficiência no uso de herbicidas pode ser melhorada em até 0,25l/ha, e a uniformidade da cultura aumentou 7% com o maneio de fertilização por dose variável. A estratégia permitiu reduzir a variabilidade na produtividade, e uma maior rentabilidade da parcela no seu todo (…).
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A continuidade deste projeto está agora em evidencia através do projeto GeeBovMit – Ação 3.3 https://projects.iniav.pt/geebovmit/oprojeto/acao-3-3 com a ampliação das práticas de agricultura de precisão que poderão contribuir ainda mais para a sustentabilidade da produção de forragens no Alentejo e em outras regiões com desafios edafoclimáticas semelhantes.
Projeto ISOmap:




