• EDITORIAL DA EDIÇÃO DE JUNHO 2025 › VOZ DO CAMPO EDITORA
É nesta altura que os campos do interior do nosso país ganham nova vida. É tempo de cerejas e, com ele, inicia-se a azáfama da colheita deste pequeno fruto que, além de ser um símbolo da ruralidade portuguesa, representa também uma importante fonte de rendimento na fruticultura nacional.

Como é sabido, Portugal conta com várias regiões produtoras de cereja, mas é na Cova da Beira – Fundão, que se concentra a produção mais reconhecida e emblemática. Com condições edafoclimáticas ideais, solos bem drenados e amplitudes térmicas significativas, esta região produz anualmente milhares de toneladas de cereja de elevada qualidade, cuja fama já ultrapassou fronteiras. Aqui, o fruto não é apenas um produto agrícola: é uma marca territorial, celebrada todos os anos com festivais e iniciativas que promovem o turismo e o comércio local.
Outras regiões importantes incluem Trás-os-Montes, com destaque para a zona de Alfândega da Fé, onde a cereja também tem forte expressão, e a zona do Douro, cujos vales acolhem plantações que crescem em socalcos virados ao sol. No Oeste, Torres Vedras e Cadaval começam também a afirmar-se, aproveitando a proximidade de mercados urbanos e exportadores.
Em termos de produção, Portugal colhe, em média, entre 15 a 20 mil toneladas de cereja por ano, com variações determinadas pelas condições climatéricas, particularmente pela ocorrência de geadas tardias ou chuvas na altura da colheita, que podem comprometer tanto a quantidade como a qualidade do fruto.
O mercado nacional absorve boa parte da produção, mas a exportação tem vindo a ganhar peso, sobretudo para países como Espanha, França, Reino Unido e, mais recentemente, destinos do Médio Oriente. A cereja portuguesa, conhecida pela doçura e firmeza, tem encontrado espaço em mercados exigentes, valorizando-se pela produção quase artesanal e pelo sabor diferenciado.
No entanto, nem tudo são facilidades. Os produtores enfrentam desafios como a escassez de mão de obra sazonal, a crescente pressão dos custos de produção e a volatilidade dos preços à origem. Ainda assim, muitos apostam na inovação, com variedades mais resistentes, técnicas de colheita modernas e embalagens atrativas, para garantir competitividade.
Em plena campanha de colheita, a cereja portuguesa volta a mostrar-se como um fruto de excelência, que une tradição, saber e modernidade. É tempo de celebrar o trabalho dos produtores e saborear, com gosto, este verdadeiro tesouro de verão.
PAULO GOMES › DIRETOR VOZ DO CAMPO EDITORA
› EDITORIAL – EDIÇÃO DE JUNHO 2025
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