A conferência “Inovar para Produzir: A nova era da pecuária extensiva”, integrada na última edição da Ovibeja, reuniu especialistas de diversas áreas ligadas à investigação, produção, ensino e sanidade animal.
Promovido pela ACOS – Associação de Agricultores do Sul, o evento contou com a parceria do Centro Nacional de Competências – InovTechAgro e foi moderado por Paulo Gomes, diretor da Voz do Campo.
A sessão foi aberta por Luís Alcino da Conceição (InovTechAgro), que destacou o envolvimento do Centro de Competências na Rede AKIS e o papel da digitalização no setor. “Temos tido bastante solicitação da parte das organizações de produtores no que respeita à tecnologia disponível para a pecuária”, sublinha, referindo a crescente necessidade de soluções inovadoras aplicáveis no terreno.
No painel de apresentações, Maria Alexandra Oliveira (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) apresentou o projeto AdaptForGrazing, que visa aumentar a resiliência dos agroecossistemas através da gestão do pastoreio com recurso a tecnologia de sensoriamento remoto. “Estamos a tentar aplicar uma panóplia de equipamento — drones, satélites — para adquirir informação remotamente e facilitar a gestão”, explica.
Por sua vez, Manuel Patanita (Instituto Politécnico de Beja) trouxe uma análise detalhada da Zona do Campo Branco, marcada por solos pobres e baixa pluviosidade. “Temos vindo a recolher dados ao longo dos anos que ajudam a perceber melhor o território e orientar práticas ajustadas às suas limitações”, destacou, apontando a importância da continuidade dos ensaios e sua aplicação prática.
Já João Madeira (Centro de Competências Pastoreio Extensivo) reforçou a urgência da monitorização na produção animal: “Temos que medir, temos que registar o que medimos, para depois poder avaliar e concluir. Se não registarmos, dificilmente sabemos o que está a passar na nossa exploração”.
Durante a mesa-redonda, Tiago Perloiro, em representação da ANCORME — Associação Nacional dos Criadores de Ovinos da Raça Merina — partilhou os desafios da associação que faz a gestão dos livros genealógicos das raças Merina Branca e Preta. “Ao assinalar 35 anos este ano, a associação já passou por muitas fases, mas falta-nos um grande passo: A capacidade de tomarmos decisões mais rápidas. Precisamos de ferramentas que permitam essa tomada de decisão rápida (…)”, defende.
José Rafael (Universidade de Évora) trouxe uma perspetiva histórica e conceptual sobre a gestão do sequeiro. “A conceção no sequeiro passa muito pela gestão do risco. Já o meu avô, há 70 ou 80 anos, geria as alterações climáticas.. E como é que ele geria o sequeiro? Ele não punha todos os ovos no mesmo saco (…). Acho que o desafio da inovação não passa só pelos produtos, passa também pelos processos, pela conceção e a resiliência de um sistema de produção”, afirma o especialista.
A questão colocada pelo moderador, Paulo Gomes — “O que é que ainda faz falta para que a ligação entre universidade e campo funcione melhor?” — gerou uma reflexão coletiva.
Para Maria Alexandra Oliveira, a resposta passa pela modelação com apoio em aprendizagem automática. “Temos que começar a modelar em períodos mais curtos, e aqui entra a dificuldade computacional. Hoje, a capacidade computacional está separada da aplicação prática — falta formação nessa área”, afirma. Manuel Patanita reforçou a necessidade de uma maior aproximação entre academia e terreno: “A academia tem de procurar os agricultores, mas os agricultores também têm de procurar a academia (…). Porque o importante aqui é dar respostas concretas àquilo que são os reais problemas que existem na agricultura”. João Madeira concluiu com uma chamada à eficiência no uso dos recursos: “Há zonas do país que são completamente diferentes. Um dos princípios da agricultura de precisão é este: não insistir no que não dá. Se insistimos no insucesso, estamos a violar um princípio económico básico”.
(Re)veja aqui um resumo da conferência:
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