Durante a realização do XXXII Concurso Nacional de Jovens Reprodutores da Raça Limousine na FIAPE, em Estremoz, Joaquim Capoulas, presidente da APORMOR – Associação de Produtores do Mundo Rural da Região de Montemor-o-Novo – e vice-presidente da CAP – Confederação de Agricultores de Portugal, em conversa com a Voz do Campo sublinha a importância estratégica da Associação como ponto de encontro e dinamização da pecuária extensiva em Portugal.
“A APORMOR considero como a associação de todas as raças. É praticamente uma confederação de todo o setor da pecuária extensiva”, afirma Joaquim Capoulas, quando questionado pela nossa reportagem sobre a definição da entidade. Sediada em Montemor-o-Novo, o presidente da Associação fala também de eventos referência como a Feira da Luz e a Expomor, que acolhem “a maior concentração de animais que se faz em Portugal (…). Estamos sempre abertos a colaborar com todas as associações de todas as raças e todas as espécies da pecuária extensiva”.
Com uma filosofia inclusiva, Joaquim Capoulas destaca a presença de várias raças e espécies no seio da associação: “Temos ali a sede nacional da Associação da Raça Charolesa e também a delegação no continente da Raça Aberdeen Angus”. E acrescenta: “Se tivéssemos espaço, queríamos ali ter todas as raças”.
Dá também exemplo, a um dos eventos mais aguardados – o Concurso Ibérico da Raça Aberdeen Angus, realizado este ano em maio. “É um concurso que se reveste de grande brilhantismo. Todos capricham por apresentar ali os melhores animais”, refere, sublinhando ainda o prestígio dos jurados internacionais, “geralmente da Escócia, do Reino Unido, que trazem sempre qualquer coisa de novo (…). Portanto, consideramos Montemor a capital nacional da pecuária extensiva, porque é ali que toda a gente gosta de ir (…)”.
Apesar de reconhecer o compromisso da raça Limousine com Odemira, Joaquim Capoulas deixou claro que Montemor é também “a sua segunda casa”, sendo mesmo “a primeira em setembro”, altura dos emblemáticos Leilões de Reprodutores. “Foi algo de inovador que nós fizemos em Portugal a partir de 2012”, explica. “A APORMOR subvenciona os seus sócios na compra dos melhores reprodutores. Tem sido um caminho de grande sucesso”, acrescenta o presidente da APORMOR.
Sobre o futuro do setor, Joaquim Capoulas acredita que há “sinais de mudança”: “O setor da pecuária extensiva foi o mais maltratado em todas as políticas da PAC”, recorda.
No entanto, aponta avanços recentes, especialmente após 2023. “A grande mudança aconteceu na sequência das manifestações em toda a Europa, organizadas pela CAP. A produção voltou a ganhar protagonismo face às questões ambientais”, considera ainda.
Joaquim Capoulas defende que “um país soberano tem que ter uma reserva importante de produção de alimentos”. E, com a mudança de governo, sente que há mais atenção ao setor primário: “Era o 16.º na hierarquia governamental, já passou a 15.º. Esperamos que suba mais”.
Exportações impulsionam mercado e valorizam produção nacional
Em relação às exportações, admite preocupações, como as taxas impostas pelos EUA, mas vê o panorama com otimismo: “Nós estávamos muito mais preocupados quando não tínhamos rendimento nas nossas explorações”. E reforça: “Hoje vendemos os produtos pela primeira vez em 40 anos sem necessidade de subsídios. Um vitelo agora, nos leilões semanais da APORMOR, vale o dobro do dinheiro que valia há dois anos, e portanto há agora um recuperar de rendimento que há muitos anos não conhecíamos”.
A exportação, nomeadamente para Israel e Marrocos, veio “aligeirar o mercado interno” e “obrigar a grande distribuição a reagir”.
O dirigente conclui com um apelo ao reconhecimento do esforço dos produtores: “Estes produtores que estão aqui hoje a mostrar os seus animais têm que ser compensados do esforço que fazem ao longo do ano. Os preços vão ter de subir, porque também eles merecem. Nós estamos todos no mesmo barco”.
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Veja a entrevista a Joaquim Capoulas, no decorrer do 32º Concurso Nacional de Jovens Reprodutores da Raça Limousine:
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