No âmbito da III Semana da Agricultura da UTAD, Ana Paula Silva, professora de Fruticultura na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, sublinha a importância da ligação entre os estudantes e o setor agrícola, salientando a sensibilidade e proximidade dos alunos com esta área.

“Os nossos alunos já vêm muito do meio agrário, seja por influência familiar ou por gosto pessoal. O objetivo é que possam regressar e contribuir ativamente para esse meio”, afirma. A docente esclarece ainda como a fruticultura tem evoluído nos últimos anos, especialmente com a crescente incorporação de tecnologia digital. “Estamos a caminhar para uma fruticultura cada vez mais digital, o que nos obriga a uma atualização constante”, afirma. Apesar disso, reforça que o seu principal objetivo continua a ser transmitir aos alunos o gosto pela disciplina: “Se eu conseguir transmitir-lhes o meu gosto pela fruticultura, já é um bom começo, porque isso leva-os a procurar mais informação (…) porque estas ciências nunca são estanques”.

Quanto às culturas com maior potencial atualmente, Ana Paula refere o crescimento significativo dos pequenos frutos e da amendoeira, impulsionado pelo avanço tecnológico no setor. “A amendoeira e os frutos secos têm sido alvo de grandes investimentos, não só no Alentejo, mas também no Norte do país”, comenta.

Por fim, lamenta a ausência de programas estatais de apoio à valorização das variedades autóctones. “É uma pena que não existam programas estatais dedicados à recuperação das variedades autóctones. Estas são fundamentais, sobretudo num contexto de alterações climáticas, pela sua adaptação ao território e resiliência”, defende a professora.

→ Leia a reportagem completa da III Semana da Agricultura da UTAD na Revista Voz do Campo – edição de maio 2025, disponível no formato impresso e digital.

A Revista Voz do Campo voltou a associar-se ao evento e esteve presente durante os quatro dias, registando todos os momentos. Veja aqui: