A Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos, sediada na freguesia dos Biscoitos, na Ilha Terceira, foi fundada na década de 1980 como resposta a um momento crítico para o setor vitivinícola local.

José Aurélio Almeida, Grão-Mestre da Confraria do Vinho Verdelho
dos Biscoitos

Após séculos de prestígio, o vinho verdelho da região enfrentava um declínio acentuado devido a múltiplos fatores: o impacto da filoxera, a introdução de castas híbridas, a desvalorização do setor agrícola face ao setor dos serviços, a emigração e, sobretudo, a crescente ocupação urbanística dos terrenos outrora dedicados à vinha.

Foi nesse contexto que a família Brum, proprietária do Museu do Vinho dos Biscoitos, iniciou um movimento de resistência e revitalização, envolvendo a comunidade e dando origem à Confraria.

Como explica o Grão-Mestre José Aurélio Almeida, “a Confraria nasce como uma forma de alerta e de mobilização social, colocando o tema do vinho verdelho na agenda política, cultural e patrimonial da região”.

Com uma ação firme junto das autoridades — que chegou a incluir uma queixa ao Provedor de Justiça — e uma aposta na promoção pública, a Confraria foi essencial para que a paisagem vitícola dos Biscoitos fosse progressivamente protegida e classificada, integrando hoje o Parque Natural da Ilha Terceira.

Mas a missão da Confraria não se esgota na defesa da paisagem. “Nós não produzimos nem comercializamos vinho, mas assumimos o papel de embaixadores deste património. Temos gosto em contribuir para a sua valorização e continuidade”, sublinha José Aurélio Almeida.

Com cerca de 70 confrades — entre membros fundadores, noviços, irmãos e membros honoríficos —, a Confraria promove uma diversidade de ações culturais, formativas e enoturísticas, sempre com o vinho verdelho como centro e pretexto para abordar outras dimensões do território. Entre as atividades regulares destacam-se: o Capítulo Cerimonial, onde são admitidos novos confrades; as Jornadas do Vinho Verdelho, com debates e mesas-redondas sobre vitivinicultura, turismo e cultura; a celebração do Dia Mundial do Enoturismo, com eventos abertos à comunidade; e colaborações com outras confrarias, como a Confraria da Alcatra da Ilha Terceira.

Segundo o Grão-Mestre um dos projetos mais emblemáticos é o Verdelho com Touro, uma iniciativa que propõe a harmonização do vinho branco com carne de touro bravo, desafiando ideias pré-concebidas tanto sobre o vinho verdelho — “por vezes visto como difícil ou excessivamente tradicional” — como sobre a carne de touro — “erradamente tida como de segunda linha”.

Além do trabalho de proximidade com a comunidade, a Confraria tem também uma presença ativa nas redes sociais, especialmente no Facebook, promovendo não só os vinhos dos Açores como também temas relevantes do mundo vitivinícola nacional e internacional. Faz parte da Federação das Confrarias Báquicas de Portugal e mantém forte articulação com a Associação de Municípios Portugueses do Vinho, ajudando a levar o nome do Verdelho dos Biscoitos além-fronteiras. “Trabalhamos para que quem venha aos Açores saiba que, neste pequeno recanto da costa norte da Terceira, existe um vinho com história, identidade e um caráter profundamente atlântico”, conclui o Grão-Mestre.

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