Valorizar a Lã Portuguesa: Um Património a Preservar, Um Futuro a Construir

A lã é muito mais do que uma matéria-prima. É um símbolo da identidade cultural portuguesa, um motor de desenvolvimento de várias regiões do país e uma aliada natural na transição para uma economia mais circular, ecológica e sustentável. No entanto, este recurso, renovável e tradicionalmente enraizado no território nacional, encontra-se hoje em risco de desaparecer do mapa produtivo português.

É neste contexto preocupante que a OVIBEIRA — Associação de Produtores Agropecuários promove uma petição pública, apelando à ação urgente do Estado português e da sociedade civil para travar a degradação da fileira da lã e recuperar a sua dignidade e valor estratégico.

Uma Fileira em Risco

Apesar do seu elevado potencial ecológico, económico e social, a fileira da lã em Portugal enfrenta atualmente uma série de desafios graves e interdependentes:

  • A ausência de escoamento está a levar à acumulação de lã não aproveitada em todo o país;

  • Falta de incentivos à inovação e à transformação local da lã, essencial para gerar valor acrescentado;

  • Desvalorização total do preço pago ao produtor, tornando a atividade insustentável;

  • Desperdício de matéria-prima com valor histórico e ambiental;

  • Falta de reconhecimento do papel da lã na economia circular e na mitigação das alterações climáticas;

  • Risco ambiental e de saúde pública devido ao abandono da lã em zonas rurais;

  • Encerramento do único lavadouro de lã existente no país, obrigando os produtores a recorrer ao estrangeiro para esta fase essencial da transformação.

Estes problemas combinam-se para criar um cenário de abandono progressivo da lã nacional, comprometendo a soberania produtiva, a identidade cultural das comunidades pastoris e a viabilidade económica da produção ovina.

Uma Estratégia Nacional para Valorizar a Lã

Perante este panorama, a petição promovida pela OVIBEIRA propõe uma resposta estruturada e integrada, através da criação de uma Estratégia Nacional para a Valorização da Lã. Entre as medidas propostas, destacam-se:

1. A criação e implementação de uma estratégia nacional para a valorização da lã, envolvendo os ministérios da Agricultura, Economia, Cultura, Ambiente e Turismo;

2. A criação de incentivos específicos para a transformação local da lã, através do apoio à instalação de pequenas unidades de lavagem, fiação e fabrico de produtos;

3. A criação urgente de um lavadouro de lã em território nacional, assegurando o primeiro passo essencial para qualquer cadeia de transformação;

4. A valorização da lã como produto ecológico e biodegradável, reconhecendo o seu papel na economia circular e nos objetivos de sustentabilidade;

5. A inclusão da lã nos apoios à agricultura e às atividades tradicionais, através do PEPAC e outros mecanismos financeiros;

6. O apoio à promoção e comercialização da lã portuguesa, tanto no mercado interno como na exportação;

7. A integração da lã em programas educativos, turísticos e culturais, como forma de reforçar a sua importância histórica e identitária;

8. A criação de uma certificação de “Lã Portuguesa”, que assegure a origem, qualidade e sustentabilidade do produto.

Um Compromisso com o Futuro Rural

A valorização da lã é, também, uma valorização dos territórios do interior, dos saberes tradicionais, da agropecuária sustentável e de um modo de vida que promove a coesão territorial e a preservação ambiental.

Num tempo em que a transição ecológica é uma prioridade, não podemos continuar a ignorar o potencial transformador da lã. Apostar na fileira da lã é investir na regeneração dos territórios, na soberania económica, na cultura local e na sustentabilidade a longo prazo.

A petição da OVIBEIRA é um apelo claro: chegou o momento de agir. Com vontade política, apoio institucional e mobilização da sociedade, é possível devolver à lã o lugar que merece no presente e no futuro de Portugal.

→Assinar petição

Este é só o começo — o objetivo da OVIBEIRA são 7.500 assinaturas, e contamos convosco para lá chegar. Juntos, podemos dar voz à lã portuguesa e construir um futuro mais justo, sustentável e digno para quem a produz.


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