Olivoturismo em Portugal. Quais as oportunidades? O Alentejo numa gota de azeite. Uma viagem no tempo, uma tradição secular…
OPINIÃO DE FILIPA VELEZ, DIRETORA EXECUTIVA DO CEPAAL
A oliveira faz parte da paisagem de Portugal, da cultura e da tradição. Está presente na toponímia, é nome de família, está associada a tradições religiosas, símbolo de paz e longevidade, e é no Alentejo que podemos encontrar um património milenar e centenário, aliado à mais alta tecnologia e ao saber-fazer, que une um setor em crescente expansão.
O Alentejo é hoje a maior região produtora de azeite em Portugal, a evolução do setor na última década é evidente: Portugal é o 6o maior produtor de azeite do mundo e o 3o maior exportador da Europa, num ano em que a produção nacional ficou perto das 200 mil toneladas e as exportações ultrapassaram os 1.5 mil milhões de euros, revelando a força de um setor cada vez mais relevante na balança comercial portuguesa.
É neste contexto de evolução e expansão do setor olivícola/oleícola nacional que surge o Olivoturismo como uma vertente inovadora que reúne, à volta do olival e do azeite, o turismo, a gastronomia, a agricultura, a natureza, a cultura e a saúde, promovendo e revitalizando o território.
A valorização das dinâmicas turísticas autênticas e reais traz uma nova oportunidade ao setor. Falamos de um turismo que dá primazia às experiências, ao envolvimento com as gentes, com o território. Um turismo de emoções e sensações.
O Olivoturismo tem vindo a emergir nos países do Mediterrâneo, capitalizando as tradições e os produtos através de rotas turísticas integradas, e Portugal não é exceção.
O Olivoturismo representa uma oportunidade singular para Portugal afirmar-se como destino de excelência no turismo rural e gastronómico, valorizando o seu património olivícola e promovendo um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo.
Contudo, em Portugal o Olivoturismo enfrenta alguns desafios, nomeadamente a falta de uma estratégia comum e a operacionalização de uma ferramenta de promoção do setor do azeite (produção e transformação) associada à oferta turística, bem como a digitalização da oferta, a promoção internacional e o apoio a projetos locais que valorizem o património olivícola.
O desenvolvimento destes roteiros e de produtos turísticos baseados na oliveira e no azeite não só aumenta o conhecimento sobre estes produtos, mas também reforça a ligação com a identidade da região, permitindo: Educar o consumidor, preservando e transmitindo conhecimento sobre a olivicultura; Valorizar o produto, acompanhando todo o processo de extração e levando ao reconhecimento do azeite como produto de alta qualidade; Conservação e Sustentabilidade, promovendo práticas agrícolas sustentáveis, a conservação do olival tradicional, ecologicamente importante e culturalmente significativo e a preservação do património histórico; Desenvolvimento Rural, como motor de desenvolvimento económico e social, criando novos empregos, sinergias e promovendo outras atividades económicas.
Desde a sua génese, que o CEPAAL – Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo procura dinamizar os territórios rurais, criando condições e disponibilizando “ferramentas” que possam contribuir para a valorização do azeite e olival do Alentejo, permitindo assim, uma maior competitividade do setor. O CEPAAL foi uma das instituições pioneiras a trabalhar na construção de um circuito turístico intitulado “Rota do Azeite do Alentejo”.
Implementar uma estratégia comum, consubstanciada numa Rota do Azeite do Alentejo, por forma a agregar e qualificar a oferta olivoturística da região e do setor, dotando a fileira do Azeite do Alentejo de um referencial de qualidade, foi o mote para o novo projeto do CEPAAL intitulado AOOE – Alentejo Olive Oil Experience, cofinanciado pelo Alentejo2030, que aliado à app “OLI(V)ALL-IN” irá agregar, promover e valorizar a oferta olivoturística da região, estabelecendo um roteiro que disponibiliza visitas a olivais, lagares, provas de azeite, museus, refeições regadas com azeite e hotéis envolvidos na temática (…).
→ Leia este e outros artigos completos, na Revista Voz do Campo – edição de julho 2025, disponível no formato impresso e digital.
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