O futuro promissor da olivicultura em Portugal: Tecnologia e qualidade

Francisco Mondragão Rodrigues, docente na Escola Superior de Biociências de Elvas do Instituto Politécnico de Portalegre, afirma que o Congresso Nacional do Azeite “é o grande encontro do setor olivícola, organizado, obviamente, por uma entidade altamente credenciada dentro do setor que é o CEPAAL”. Sobre a participação no evento, Francisco Mondragão Rodrigues conta-nos que a sua instituição esteve presente tanto no Congresso como nas Jornadas Técnicas, que também ajudaram a organizar. Afirma que o setor da olivicultura está “muito pujante, é um setor de futuro, sem qualquer dúvida”, independentemente do tipo de olival, seja tradicional, intensivo ou em sebe. Para o docente, o setor oferece “muitas oportunidades para os empresários agrícolas, para os jovens alunos que são formados na nossa escola, e nas outras escolas de ciências agrárias do país”.

À nossa reportagem, Francisco Mondragão Rodrigues, docente na Escola Superior de Biociências de Elvas, lembra que o olival é a cultura com maior área em Portugal
O especialista incentivou os agricultores a participar em eventos como este para “estarem o mais possível atualizados relativamente às últimas técnicas, tecnologias, equipamentos, notícias que estão relacionadas com a fileira oleícola”.

Refere ainda a importância de temas atuais, como a ESG, que “deve começar a ser tomada em consideração, principalmente nas grandes organizações”, assim como a ligação do azeite à gastronomia, dieta mediterrânica e cultura.

À nossa reportagem Francisco Mondragão Rodrigues sublinha também a relevância do setor para Portugal, lembrando que o olival é a cultura com maior área em Portugal.

“Temos 380 mil hectares. Não há outra cultura agrícola com mais área em Portugal”, afirma o docente.

Quanto ao impacto económico, refere que “o setor do azeite permitiu nos últimos anos exportações na ordem dos 1000 milhões de euros, e, portanto, é um setor a tomar em consideração, até pelos agentes políticos, principalmente pelo Ministério que tutela este setor”.

Contudo, Francisco Mondragão Rodrigues alerta para algumas dificuldades: “Os olivicultores têm cada vez menos armas para combater os problemas naturais que existem em todas as culturas, nomeadamente as pragas e doenças”. Para o docente, o Congresso “serve exatamente de ponto de encontro, de reunião de todos estes agentes para debater aquilo que interessa e preocupa o setor, e para os olivicultores apresentarem as suas questões e ouvirem também da parte da Academia e dos Institutos de Investigação o que é que há de novo para ajudar a resolver problemas, mas também para trazer cá os políticos e lhes transmitir estas mensagens”.

Portugal na vanguarda da qualidade e inovação

Já sobre a qualidade dos azeites portugueses, admite que “os azeites portugueses são altamente reconhecidos no mercado mundial”. De acordo com o mesmo, “Portugal aumentou quase 300% a sua produção de azeite nos últimos anos, tendo a área aumentado à volta de 10%”.

Esse crescimento tem sido impulsionado pela aposta em tecnologia e inovação.

“Na última década, apostou-se muito em tecnologia e inovação. Obviamente, inicialmente por grupos estrangeiros, neste momento já por grupos nacionais. E essa tecnologia e essa inovação está-se a refletir na produtividade dos olivais e na qualidade do azeite” e o especialista argumenta: “Nós somos o país do mundo com a maior percentagem de azeites virgem e virgem-extra. Na casa dos 95% a 97% do azeite produzido em Portugal é virgem e virgem-extra. Só entre 3% a 6% é que é azeite lampante”. Comparou com a vizinha Espanha, o maior produtor mundial, onde “em termos médios, apenas 70% de azeite é virgem e virgem-extra (…). O restante é 30% lampante, e, portanto, tem de ser refinado”.

Ao terminar, Francisco Mondragão Rodrigues sublinha o avanço tecnológico na produção de azeite: “Temos três dos cinco lagares mais modernos do mundo em termos de tecnologia. Já tem inteligência artificial nos equipamentos, software que controla de uma forma quase automatizada grande parte do processo. E tudo isso está a ajudar o setor”, fundamentando que, apesar dos desafios, “é um setor com um futuro muito promissor”.

→ Leia a reportagem completa do Congresso Nacional do Azeite 2025, na Revista Voz do Campo  edição de julho 2025, disponível no formato impresso e digital.

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