“A zootecnia de precisão não será uma opção, será uma necessidade”. Foi com esta afirmação que André Almeida, professor do Instituto Superior de Agronomia (ISA), iniciou a sua intervenção na recente Reunião Geral da IACA – Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais.
Durante a comunicação intitulada “Zootecnia de Precisão: uma ferramenta indispensável à produção animal no século XXI”, André Almeida destacou o papel crescente da tecnologia na gestão eficiente dos sistemas pecuários.
Desafios da intensificação e a resposta tecnológica
O especialista começou por contextualizar o atual panorama da produção animal: “Todos vocês conhecem o facto de que a produção animal é crescentemente intensificada, com mais dificuldades de maneio e com um número crescente de animais por exploração”. Segundo André Almeida, este cenário traz consigo “uma pressão necessária para a otimização da produção” e, inevitavelmente, a dificuldade em garantir uma monitorização e controlo eficaz dos animais. É nesse contexto que emerge a zootecnia de precisão, definida por Almeida como “um conjunto de tecnologias de monitorização em tempo real que estão direcionadas para a otimização da gestão da produção animal”.
Tecnologias ao serviço da eficiência
O professor apresentou uma série de tecnologias já em uso ou em fase de desenvolvimento experimental. Entre as soluções comerciais mais conhecidas, destacou os medidores de produção de leite e os podómetros, amplamente utilizados em salas de ordenha desde os anos 90. No entanto, o foco da comunicação foi em exemplos menos difundidos, mas com enorme potencial prático.
Um deles é o sistema de avaliação da condição corporal (BCS) através de fotografia digital. “É algo que todos aprendemos a fazer manualmente, mas que consome muito tempo e é sujeito a grande variabilidade entre observadores. Esta tecnologia permite uma avaliação homogénea, mais rápida e integrada nos fluxos da exploração”, explicou.
Diagnóstico precoce e drones na pecuária
Outra aplicação promissora é o uso de imagens térmicas para deteção precoce de doenças. André Almeida mostrou casos em que alterações de temperatura corporal visíveis em imagens térmicas servem como indicadores de inflamação. “Algumas destas aplicações podem até ser integradas em drones para cobrir grandes áreas de forma rápida, como nos ‘feedlots’ dos Estados Unidos”, observou. Avançando para um dos projetos mais inovadores, relatou a utilização de fotografias aéreas para estimar o peso vivo de bovinos. “Pesagens são caras, exigem infraestruturas e tempo. Por isso, perguntámo-nos: será possível estimar o peso com uma simples fotografia?”, referiu, mencionando os trabalhos realizados por alunos de mestrado. No caso de novilhos cruzados de Angus, os resultados foram promissores, com alta correlação entre as medições por imagem e o peso real. Já em vacas de gado Mertolengo, devido à variabilidade morfológica e condição corporal, os resultados foram menos precisos (…).
→ Leia este e outros artigos completos na Revista Voz do Campo – edição de julho 2025, disponível no formato impresso e digital.
Conteúdo relacionado:


