Desde 31 de dezembro de 2023, a recolha seletiva e a valorização dos biorresíduos são obrigatórias na União Europeia (Diretiva-Quadro dos Resíduos – Diretiva (UE) 2018/ do Parlamento Europeu e do Conselho, de 30 de maio de 2018). A fim de conseguir uma separação adequada dos resíduos orgânicos em casa e no setor da restauração, é necessária uma sensibilização significativa.
A valorização dos biorresíduos
É essencial que as administrações públicas desenvolvam campanhas de sensibilização e apoio aos cidadãos e um sistema de recolha seletiva de resíduos próximo das habitações e dos centros de produção, cujo melhor resultado se revelou ser a recolha porta-a-porta. Nos municípios onde é efetuada, a recolha duplica a taxa de valorização dos resíduos, ultrapassando o objetivo fixado pela União Europeia para 2035 de 65%. A experiência em cidades da Catalunha, Navarra, País Basco e Valência mostra que se trata de um modelo comprovado com resultados imbatíveis.
Para a recolha seletiva dos biorresíduos, a utilização de sacos biodegradáveis e compostáveis fabricados pela Mater-Bi resolve eficazmente os problemas de separação destes resíduos, favorece a produção de composto (um excelente corretor de solos agrícolas rico em substâncias húmicas e microrganismos) e a sua combinação com baldes arejados beneficia a respirabilidade dos sacos, mantém a sua resistência, reduz os maus odores e evita a criação de líquidos no fundo do balde, facilitando a separação dos resíduos orgânicos na origem.
O que é a biodegradabilidade?
A biodegradabilidade é a capacidade de as substâncias e materiais orgânicos serem convertidos em substâncias mais simples através da atividade biológica dos microrganismos, no final da qual se verifica uma transformação completa das substâncias orgânicas iniciais em moléculas simples: água, minerais, dióxido de carbono, metano e biomassa. Ao imitarem este processo, os microrganismos ativos em condições termofílicas permitem que os resíduos orgânicos e os materiais compostáveis sejam removidos e reciclados em conjunto através da compostagem: os ambientes de compostagem (na presença de oxigénio, produção de composto) e de digestão anaeróbica (na ausência de oxigénio, produção de biogás e de digerido) favorecem taxas elevadas de biodegradação à escala industrial.
O que é a compostabilidade?
A compostabilidade é a propriedade dos materiais orgânicos biodegradáveis (ou seja, resíduos alimentares e vegetais, fertilizantes e plásticos biodegradáveis a partir dos quais são fabricados produtos e embalagens) que podem ser recuperados através da reciclagem orgânica em unidades de compostagem.
Trata-se de um processo biológico aeróbio (que ocorre na presença de oxigénio) e controlado que conduz à produção de composto, uma mistura de substâncias húmicas.
O composto fornece matéria orgânica que melhora a estrutura do solo, a biodiversidade e a disponibilidade de bionutrientes (compostos de fósforo e azoto) e a fertilidade do solo.
O projeto “Devolver à Terra”
Várias associações, em colaboração com empresas do setor, estão já a desenvolver esforços no sentido de contribuir para a sensibilização da população para a importância da recolha seletiva de resíduos, sobretudo da componente orgânica. É o caso do projeto “De Volta à Terra”, que resulta de uma parceria entre a ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, a SILVEX – Indústria de Plásticos e Papéis, S.A. e a Novamont Ibéria, com a ambição de levar 100 escolas de Portugal Continental a compostar os seus resíduos orgânicos.
O objetivo é promover boas práticas ecológicas junto dos jovens, para que aprendam a valorizar os resíduos orgânicos e a transformá-los em composto de elevada qualidade. Depois de compreenderem o processo de compostagem, os alunos podem ver como estes resíduos são muito úteis como corretor de solos para hortas e pomares escolares.
Os resíduos orgânicos gerados nas nossas casas não são um desperdício a subestimar, são um recurso que devemos aproveitar como corretor de solos agrícolas, fechando assim o ciclo em que tudo é usado e devolvemos à terra os nutrientes que dela obtemos e evitamos que sejam enviados para aterros ou incineração (…).
Mais informações: novamontiberia.es
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