Representando a OLIVUM – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, Pedro Lopes defendeu, durante o Congresso Nacional do Azeite, a importância da partilha e atualização de conhecimento no setor: “É sempre muito importante para nós participarmos neste tipo de eventos, sejam eles a nível nacional, sejam congressos, sejam conversas, porque aquilo que aqui encontramos é partilha de informação, partilha, comunicação”.

Questionado pela Voz do Campo sobre a evolução do setor, o presidente da OLIVUM refere que “há 20 anos para cá começámos com esta nova modernização relativamente à olivicultura, [o que] faz com que nos posicionemos nos primeiros 5 e prevê-se numa projeção dos primeiros 3 lugares de produção a nível mundial”. Desde 2014, Portugal é autossuficiente em azeite, sendo esta produção “procurada pelos nossos países vizinhos”.

Pedro Lopes, presidente da OLIVUM

Pedro Lopes alerta para os desafios comerciais de um país pequeno, mas altamente produtivo: “Hoje é fundamental que se analise, que se veja quais são as suscetibilidades que existem dentro do setor da comercialização”.  Ao nível da diferenciação do produto, realça: “A nossa produção, 95% da produção de azeite é de azeite virgem extra. Isso sim, é para mim um chavão importante que nós temos de nos posicionar”.

Abordando a sustentabilidade do setor, sublinha que “para toda a cadeia ser sustentável, financeiramente tem de ser sustentável”. Pedro Lopes considera essencial que todas as formas de produção tenham viabilidade económica: “Temos que combater a que esteja tudo em pé de igualdade e que todos tenham a sua rentabilidade relativamente à produção nacional”.

Já sobre o comércio internacional, o dirigente da OLIVUM aponta uma perspetiva cautelosa quanto às tarifas: “Relativamente às taxas do Sr. Trump […] até ao dia de hoje ainda não se verificou relativamente ao azeite”.  E acrescenta: “Temos de aguardar com uma expetativa (…)”.

Quanto às infraestruturas de transformação, foi categórico: “É muito satisfatório falar sobre a questão dos lagares, porque a inovação está em Portugal”. 

Pedro Lopes mostra-se orgulhoso que “a modernização dos nossos lagares é, a nível mundial, da que existe, não existe outra”. Este avanço contribui diretamente para a qualidade do azeite português: “Tem um papel fundamental e moderno, e tem a grande percentagem para a atribuição e para termos a distinção dos 95% do azeite virgem extra”.

A proximidade entre olival e lagar é, segundo Pedro Lopes, outro fator diferenciador.

“Ao fim de uma hora a colheita da azeitona, dessa própria azeitona, está a ser transformada”, vinca, argumentando que, esta eficiência e sanidade dos processos transmite segurança ao consumidor. “Eu, como consumidor, estou descansado e penso que os nossos consumidores portugueses e os exteriores também, porque senão também não havia essa procura de comprar o nosso azeite”, termina.

→ Leia a reportagem completa do Congresso Nacional do Azeite 2025, na Revista Voz do Campo  edição de julho 2025, disponível no formato impresso e digital.

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