Foi durante a IV Feira de Inovação Agrícola do Fundão (FIA) que decorreu a cerimónia de entrega de diplomas do programa de Formação Pastores Queijeiros 4.0, um projeto inovador que alia tradição, conhecimento técnico, combate à desertificação e aos incêndios florestais.

A sessão de entrega de diplomas foi conduzida pelo vereador Pedro Neto, que realçou o percurso dos formandos e a importância do programa para o território:

“Foi uma jornada e tanto estes últimos quatro meses. Estão todos de parabéns. Foi um programa – e tem sido – bastante inovador, muito diferente e temos a certeza que fará a diferença nesse setor”, afirma o vereador, sublinhando ainda a componente prática e integrada da formação. Recorde-se que a Formação de Pastores Queijeiros 4.0 teve início em meados de abril.

Pedro Neto, vereador da Câmara Municipal do Fundão e Sara Otero, representante da Fundação Aga Khan

“Chegamos a esta fase com um conhecimento muito maior. Tenho a certeza de que temos hoje pastores queijeiros completamente preparados para assumir a segunda fase do programa e integrar um efetivo pecuário colaborativo nas infraestruturas que iremos disponibilizar no futuro”, acrescenta o vereador. A cerimónia contou também com a intervenção de Sara Otero, representante da Fundação Aga Khan, entidade parceira do projeto, que fez questão de partilhar a origem da iniciativa:

“Quando a Fundação Aga Khan veio falar com o município, queríamos perceber como poderíamos contribuir para a prevenção de incêndios. Lembro-me da primeira visita à Serra da Gardunha, onde o senhor vereador referiu que, se conseguíssemos limpar o combustível ali presente, poderíamos prevenir incêndios de grandes dimensões. E dissemos: vamos a isso”.

Programa único, pioneiro que associa os pastores a uma nova visão

Foi dessa vontade conjunta que nasceu o conceito dos “Pastores Queijeiros 4.0”, com uma visão que vai muito além da formação técnica.

Os premiados com os seus diplomas: Da esq. para dta: Maria Madalena, Diogo Ernesto, Alexandra Maldonado e Dieter Pereira

“Se introduzirmos aqui mil cabras de uma raça em vias de extinção, será um contributo enorme. Mas quem cuida dos animais? Quem faz parte deste projeto? E surgem os pastores queijeiros 4.0”, recorda Sara Otero.

A representante da Fundação salienta ainda a dimensão estratégica da iniciativa:

“Estamos objetivamente a ter um impacto direto na redução de combustível na paisagem, na gestão territorial e na valorização económica através de um produto de excelência. Este programa é único, pioneiro e associa os pastores a uma nova visão: a do empreendedorismo rural. Acreditamos que poderá ser um projeto piloto que fará bandeira e que poderá ser replicado noutros territórios”

“Poderíamos ter chamado pastores sapadores, mas preferimos falar de empreendedores”

A segunda fase do programa incluirá agora um curso de empreendedorismo e aceleração de projetos, desafiando os formandos a desenvolver os seus próprios negócios:

“Poderíamos ter chamado pastores sapadores, mas preferimos falar de empreendedores, que é o verdadeiro objetivo: criar valor e futuro no mundo rural”, frisa Sara Otero.

Pedro Neto finalizou a sessão com o anúncio de que outros participantes informais do programa terão também acesso à segunda fase, com início em setembro:

“Vamos permitir que todos aqueles que frequentaram a formação ao longo destes meses, mesmo sem estarem inscritos inicialmente, possam continuar para a segunda fase. Muito obrigado por acreditarem neste projeto (…) que poderá ser escalado para outras áreas do território e ser uma resposta para um problema que temos a nível nacional”.

Uma parceria entre o Município do Fundão e a Fundação Aga Khan Portugal

A Formação Pastores Queijeiros 4.0 insere-se num protocolo de parceria entre o Município do Fundão e a Fundação Aga Khan Portugal, no âmbito do Programa de Regeneração Rural desta Fundação.

A Formação Pastores Queijeiros 4.0 tem como objetivos a valorização económica da fileira dos queijos DOP da Região Centro, a valorização de Raças Autóctones, a gestão de combustível em paisagem protegida e o estímulo ao empreendedorismo.

No final do curso, o formando irá adquirir a capacidade de produzir da maneira mais otimizada possível, segundo critérios de bem-estar animal, prevenção de riscos ocupacionais, proteção ambiental, segurança alimentar, transparência e respeito pelos ecossistemas.

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