Já imaginou um fruto que combina o sabor refrescante do ananás com a acidez do limão, além de ser um aliado da saúde? Este fruto existe e chama-se lulo (Solanum quitoense Lam.), também conhecido como naranjilla. Na Colômbia, é tão comum como a laranja no Algarve, mas em Portugal ainda é uma raridade, encontrado apenas em lojas especializadas.
Com uma casca alaranjada brilhante, semelhante a um pequeno tomate, e um interior com polpa suculenta e inúmeras sementes (Figura 1), o lulo oferece uma experiência gustativa única: um equilíbrio refrescante entre notas tropicais e acidez vibrante.

Originário das regiões montanhosas andinas da América do Sul, nomeadamente da Colômbia, Equador e Peru, cresce em arbustos que podem atingir entre 1 a 2 metros de altura. É tradicionalmente consumido em sumos, cocktails, compotas e sobremesas, entre outros produtos. Um bom exemplo é a “lulada”, uma bebida tradicional colombiana preparada com lulo. Mas o que torna este fruto tão especial?
Um estudo recente, realizado por investigadores do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) e do Centro de Investigação de Montanha (CIMO) do Instituto Politécnico de Bragança, avaliou a composição nutricional e fitoquímica do lulo, mais concretamente da polpa, da casca e das sementes, utilizando amostras provenientes da Colômbia.
Os resultados revelaram que a polpa, composta por 87% de água, tem apenas 39 kcal/100 g e apresenta alto teor de ácido cítrico e açúcares livres (Tabela 1), o que contribui para o sabor característico. Apesar de apresentar um perfil interessante de micronutrientes essenciais, a polpa é superada pela casca em termos quantitativos. Esta parte do fruto, normalmente descartada como subproduto, mostrou-se rica em potássio, cálcio, ácido ascórbico (vitamina C) e tocoferóis (vitamina E), sendo que uma porção de 100 g contribui com mais de 25% da dose diária recomendada de potássio e vitamina C e mais de 50% da de vitamina E para adultos saudáveis. Além disso, a casca demonstrou ser uma fonte relevante de fibra alimentar.
As sementes, por sua vez, apresentam os teores mais elevados de proteínas, fibra, magnésio e microelementos (zinco, cobre, manganésio e ferro), assim como de γ-tocoferol e lípidos totais, maioritariamente ácidos gordos monoinsaturados, com destaque para o ácido oleico (~45%), o mesmo ácido gordo predominante no azeite. Esta composição (Tabela 1), somada aos hidratos de carbono, explica o seu maior valor energético face à polpa e à casca.

Além de nutrientes, o estudo também investigou a composição do lulo em polifenóis, compostos associados a potenciais efeitos benéficos para a saúde do consumidor. As análises evidenciaram que as diferentes partes do fruto apresentam perfis diferenciados. As sementes destacaram-se pelo maior teor de compostos fenólicos (62,3 mg/g de extrato), sendo particularmente ricas em derivados de espermidina, os quais representaram cerca de 60% do teor total (…).
→ Leia o artigo completo na Revista Voz do Campo (edição agosto/setembro 2025).
Autores: Mike Añibarro-Ortega1 , Maria Inês Dias1 , Alexis Pereira1 , Lillian Barros1 , José Pinela1,2*
1 CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal
2 Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P. (INIAV, I.P.), Rua dos Lágidos, Lugar da Madalena, 4485-655 Vairão, Vila do Conde, Portugal
Autor correspondente: jose.pinela@iniav.pt

