Com a produção de castanha em crescimento e Portugal a posicionar-se como líder europeu, o V Simpósio Nacional da Castanha decorreu no Sabugal entre 3 e 5 de julho de 2025, numa organização da RefCast – Associação Portuguesa da Castanha, Câmara Municipal do Sabugal, SCAP – Sociedade de Ciências Agrárias de Portugal e CCDR Centro – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.

O evento, que reuniu investigadores, produtores e instituições, reforçou a ligação entre conhecimento científico, inovação agrícola e fixação de população em zonas rurais.

O Simpósio destacou-se como o momento-chave para mostrar o que está a ser feito na investigação sobre o castanheiro e a castanha em Portugal. É assim que o coordenador do V Simpósio Nacional da Castanha, José Gomes Laranjo, resume a importância do evento em declarações à nossa reportagem. Para o coordenador, “este Simpósio, digamos que é o corolário de um dos objetivos daquilo que é a RefCast também”, reunindo “todos os players da fileira”, desde a produção até à ciência.

Foram apresentados 40 trabalhos de investigação, o maior número de sempre, provenientes de diversas instituições nacionais. “É a primeira vez que chegamos a este número”, afirma José Gomes Laranjo, salientando o contributo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, do Instituto Politécnico de Bragança (CITAD e CIMO), bem como de outras entidades como o INIAV, os Institutos Politécnicos de Viseu, Viana do Castelo e Castelo Branco, e diversas universidades.

Desafios fitossanitários e mudanças climáticas

José Gomes Laranjo, coordenador do V Simpósio Nacional da Castanha

A agenda científica refletiu as novas preocupações da fileira, com destaque para doenças emergentes como a podridão castanha (gnomoníase), a doença da tinta e os impactos das alterações climáticas. “Hoje, a Vespa das Galhas do Castanheiro é um assunto praticamente encerrado, se bem que este ano nos causou uma surpresa”, explica o coordenador. Atualmente, a prioridade recai sobre “a questão da podridão castanha, mas também a competitividade num mercado global”.

A conferência de abertura, com o investigador Gabriel Beccaro, abordou os “soutos da quarta geração”, apontando caminhos para o melhoramento varietal e resistência a doenças. Nesse sentido José Gomes Laranjo sublinha que “temos que ensinar quem produz a preparar-se para esses novos desafios”.

No segundo dia, o foco centrou-se na transformação da castanha e na necessidade de diversificar o consumo. “Temos que mostrar que há outras formas de consumir a castanha, que não seja só assada ou cozida”, defende o professor. A transformação surge como estratégia-chave para aumentar o valor acrescentado e estabilizar o consumo.

“O castanheiro pode ser um fator de coesão”

José Gomes Laranjo, lembra que “as pessoas só ficam numa região se houver forma de viver lá”.

A fileira da castanha está assim profundamente ligada ao desenvolvimento dos territórios de montanha e do interior. No campo, os participantes visitaram uma exploração com sede no concelho do Sabugal com menos de 15 anos, testemunho vivo do “renovar do interesse” e da capacidade de gerar rendimento local.

A força do setor e os desafios do futuro

Apesar das dificuldades, o setor do castanheiro encontra-se em expansão. “Contrariamente ao despovoamento que acontece nestas regiões do interior, as áreas de castanha têm vindo a aumentar”, lembra José Gomes Laranjo. Entre 2009 e 2019, a área plantada cresceu 50%, atingindo atualmente os 50 a 55 mil hectares.

Com este aumento, Portugal caminha para liderar a produção europeia, podendo atingir as 60 mil toneladas anuais. No entanto, isso traz novos desafios: “Produzir com qualidade”, reforça o coordenador do Simpósio. E acrescenta: “Estamos a falar de mercados cada vez mais exigentes (…) o setor tem que estar à altura”.

Para José Gomes Laranjo a aposta nas variedades nacionais é uma mais-valia competitiva. “Não plantem variedades híbridas, porque isso vai adulterar o padrão da produção nacional”, adverte. Castanhas como a Judia, Longal, Martaínha ou Colarinha continuam a ser as mais procuradas pelos mercados internacionais.

Portugal lidera também na introdução de porta-enxertos híbridos resistentes à doença da tinta. “Portugal está a fazer a transição silenciosa para os porta-enxertos híbridos”, refere, sublinhando que a grande maioria das novas plantações já os utiliza. Com a produção a crescer, a investigação sólida e indústria dinâmica, Portugal afirma-se no topo dos países europeus produtores de castanha. Como remata José Gomes Laranjo, “Portugal tem mostrado uma grande organização, que deixa os outros países com alguma inveja”.

→ Leia a reportagem completa do V Simpósio Nacional da Castanha, na Revista Voz do Campo edição de agosto/setembro 2025, disponível no formato impresso e digital.

A Voz do Campo foi media partner oficial do V Simpósio Nacional da Castanha.
Veja alguns momentos: