Fundada em 1987, a Cadova — Cooperativa Agrícola do Vale de Arraiolos — é hoje uma referência na agricultura portuguesa. Com cerca de 2000 associados, dos quais 400 são produtores ativos, a Cooperativa divide-se em duas grandes áreas de produção: os cereais e hortícolas, às quais se junta, mais recentemente, o amendoal.

“As nossas principais culturas são o tomate de indústria e o milho, devido aos solos férteis da região da Chamusca e à sua tradição agrícola”, explica Vasco Reis, presidente do Conselho de Administração da Cadova. Apesar do concelho da Chamusca já não contar com as antigas indústrias transformadoras de tomate – “há 40 anos, existiam aqui três indústrias”, recorda Vasco Reis, a produção continua pujante. Em 2024, a Cadova produziu 87 mil toneladas de tomate e mantendo esta como uma das culturas de maior expressão. No setor hortícola, produzem ainda pimento, brócolo, beringela, fava, ervilha, curgete, butternut e feijão verde. A Cooperativa está presente, no Concelho da Chamusca e limítrofes como Alpiarça, Golegã, Almeirim, Cartaxo, Torres Novas e nos Concelhos de Montemor-o-Novo e Serpa, alargando a sua influência até ao Alentejo.

Atualmente, explora também cerca de 400 hectares de amendoal, cultura em expansão desde 2017, embora enfrentando desafios recentes.

Vasco Reis, presidente do Conselho de Administração da Cadova

Foi num dos primeiros pomares de amêndoa plantados no concelho da Chamusca que iniciámos a nossa reportagem. E diz Vasco Reis: “Esta cultura tem sido desafiante, sobretudo pelos fatores climatéricos nos últimos dois anos. O vento e a chuva na altura da floração têm afetado a frutificação”, conta.

Ainda assim, sublinha-se a resiliência da cultura, “com uma expectativa de preço elevada”, compensando em parte as perdas de produção. Neste momento, a área de amendoal da Cadova estende-se por cerca de 200 hectares na Chamusca e em Alpiarça, acrescidos de mais 200 hectares espalhados por várias zonas do Alentejo.

A parceria com a NATURALFA – empresa de certificação – começou há mais de uma década. “Surgiu da necessidade de garantir a rastreabilidade e a qualidade dos nossos produtos. Iniciámos a colaboração com a NATURALFA há cerca de 12 anos e mantemos uma relação de confiança”, afirma o presidente do Conselho de administração da Cadova.

Presente na visita, Hélder Terrinca, auditor da NATURALFA, destacou o trabalho desenvolvido com a Cadova: “Neste amendoal onde estamos, temos produção integrada. Temos também produtores em fase de conversão para agricultura biológica. A cada ano fazemos pelo menos uma avaliação para validar se os operadores cumprem com as regras”.

A rastreabilidade continua a ser um eixo central do trabalho da NATURALFA: “Conseguimos identificar desde o dia da colheita até à parcela de onde o produto foi colhido. É esse o grande objetivo: garantir confiança ao consumidor”, sublinha o auditor.

As exigências são elevadas, mas os produtores da Cadova têm conseguido cumprir com os normativos. “Em termos de agricultura biológica, utilizam fertilizantes e produtos de tratamento autorizados. E na produção integrada, mantêm o compromisso com a sustentabilidade e boas práticas”, reforça Hélder Terrinca.

Da esquerda para a direita: Ana Banito, responsável pelo departamento de certificação da Cadova, Vasco Reis (ao centro) e Hélder Terrinca, auditor da NATURALFA

Centro de receção de cereais

A nossa reportagem prosseguiu para o centro de receção de cereais da cooperativa. À entrada, os tratores são pesados e é retirada uma amostra dos cereais — sendo o principal, milho — para análise de humidade e peso específico.

“Temos circuitos distintos para armazenagem e secagem, de modo a valorizar o milho dos nossos produtores. O milho para alimentação humana tem maior valor de comercialização sendo separado do restante”, explica Vasco Reis.

Atualmente, a Cadova dispõe de 9.000 toneladas de capacidade de armazenagem, embora receba volumes muito superiores. “O ano passado fizemos 30 mil toneladas de milho. O investimento em novos silos e um novo secador é necessário”, adianta. Hoje em dia, contam com uma área de 2300 hectares de milho.

O tomate de indústria

Durante a visita a uma seara de tomate na zona da Rapadiça, (Chamusca) do produtor José António Carapinha, que cultiva cerca de 100 hectares, voltou a destacar-se o papel da certificação na cadeia de valor. A variedade plantada — Olivenza — é uma das mais produzidas para a indústria transformadora. Nesta seara, a plantação, no entanto, sofreu atrasos devido à elevada precipitação na primavera.

“Tivemos que plantar até 13 de junho, o que é anormal. Normalmente terminamos em final de maio”, afirma Vasco Reis, argumentando ao mesmo tempo “temos cerca de 750 hectares de tomate plantados, principalmente na Chamusca e Alpiarça, e apesar do atraso, esperamos atingir as médias habituais de produção, em torno das 105 toneladas por hectare”. No entanto, o dirigente associativo alerta para o risco de chuvas em setembro, que podem prejudicar a colheita, e para o desafio logístico de entregar o tomate no prazo, devido à concentração da plantação em maio.

A certificação GlobalG.A.P é obrigatória para a maioria dos produtores de tomate da Cadova, o que se reflete na exigência, mas também na qualidade.

Ana Banito, responsável pelo departamento de certificação da cooperativa, sublinha: “A certificação não é mais do que cumprir com a legislação, as boas práticas agrícolas e garantir segurança alimentar. O grande desafio é desmistificar isso junto dos agricultores”.

Com a ajuda da NATURALFA, esse trabalho tem sido feito com sucesso.

“Desde 2014 temos crescido em conjunto. A NATURALFA ajuda-nos com dúvidas técnicas, auditorias, documentação (…)”, refere Ana Banito. E Hélder Terrinca acrescenta: “Mesmo com a rotação obrigatória de parcelas no tomate, temos conseguido manter os padrões de certificação. A Cadova tem adotado boas práticas por exemplo nas bordaduras das explorações, promovendo benefícios ambientais e atração de auxiliares naturais”.

→ Leia este e outros artigos completos, na Revista Voz do Campo edição de agosto/setembro 2025, disponível no formato impresso e digital.

Veja a vídeo-reportagem: