Atualmente, o Sabugal que recebeu o V Simpósio Nacional da Castanha entre os dias 3 e 5 de julho, conta com cerca de 700 hectares de castanheiros e 250 produtores, números que têm vindo a crescer, mas que ainda podem ser melhor explorados.

Sílvia Nabais, vice-presidente da Câmara Municipal, salienta a importância histórica da castanha na região, afirmando que “estamos a falar de uma cultura que é milenar, com uma tradição muito grande neste território”. Neste contexto, a autarca frisa que o Simpósio tem como objetivo principal “trazer o conhecimento ao território”, uma vez que “os nossos produtores têm um conhecimento que foi passado empiricamente de pais para filhos, mas sabemos que há desafios hoje em dia que não havia anteriormente”. Por isso, trazer universidades e politécnicos para colaborar é fundamental para modernizar as práticas agrícolas.
Sobre o valor económico do setor, Sílvia Nabais revela que a produção está avaliada em cerca de 1,2 milhões de euros para o concelho, um valor significativo para uma região rural do interior. Para além do contributo financeiro, “é uma forma de fixar as pessoas, de termos um território cuidado e evitar fogos florestais”.
A vice-presidente reconhece que a comercialização é um desafio, devido à predominância de pequenos produtores que valorizam a autonomia, o que dificulta a concentração do produto. Por isso, a autarquia tem incentivado a criação de cooperativas, pois “unidos ganham força e é importante que façam este trabalho para conseguirem melhores preços”. Também fala sobre o investimento jovem no setor, referindo que “temos uma empresa liderada por gente jovem que decidiu apostar nesta área e que é, neste momento, o maior produtor do concelho”.

O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Vítor Proença, também realça a importância do Simpósio para marcar uma posição no país, afirmando que o Sabugal “também produz castanha e de grande qualidade”. Segundo o presidente da autarquia, “nos anos 50 tínhamos uma produção de castanha nas maiores da Zona Centro, era à base da alimentação destes territórios, e fomos perdendo ao longo do tempo estas produções.
Queremos recuperá-las”. Para isso, destaca a importância da ciência e do conhecimento, referindo que “o produtor é um produtor com alguma idade que ainda trabalha os castanheiros ancestralmente e precisa de se modernizar, aplicar outro tipo de técnicas”. O município tem vindo a desenvolver protocolos com universidades e associações para apoiar essa transição.
Quanto ao futuro, Vítor Proença revela que há um projeto para investir cerca de 1,5 milhões de euros na Colónia Agrícola do Martim Rei, onde se pretende criar um centro experimental para pesquisa e também atividades educativas, incluindo o contacto de crianças com a cultura da castanha.
Sobre a rentabilidade da produção, afirma que “hoje em dia a produção de castanha é rentável, temos muito território, muito espaço e condições para crescer”. O município também apoia jovens agricultores, com regulamentos que facilitam a obtenção de terra e financiamento.
Ao terminar, o presidente expressa orgulho na visita durante o Simpósio a uma grande empresa local que já possui 50 hectares de castanheiros e está a investir fortemente no concelho. “É investimento que entra no território, mexe a economia local e o proprietário quer investir ainda mais”, vinca.
→ Leia a reportagem completa do V Simpósio Nacional da Castanha, na Revista Voz do Campo – edição de agosto/setembro 2025, disponível no formato impresso e digital.
A Voz do Campo foi media partner oficial do V Simpósio Nacional da Castanha.
Veja alguns momentos:

