Durante o V Simpósio Nacional da Castanha, Carlos Cardoso, CEO da Motivos Campestres e produtor de castanha em Trás-os-Montes, defende que a cultura do castanheiro enfrenta um momento decisivo.

Carlos Cardoso, CEO da Motivos Campestres

Afetado pelas alterações climáticas e pela exigência crescente de profissionalização, o setor “tem muito que evoluir a nível do conhecimento técnico e de novas práticas culturais”. Nesse contexto, o empresário considera que eventos como o Simpósio Nacional da Castanha “são essenciais para a fileira”, pois permitem a partilha de conhecimento entre “produtores, investigadores e todas as pessoas da fileira”.

Recorde-se que a Motivos Campestres nasceu em 2007, com foco no aconselhamento técnico e nutrição vegetal, e lançou, em 2018, a sua própria marca de fertilizantes — Nutritec Fertilizantes. “Como eu acredito que a nutrição é a base de uma planta saudável e de uma excelente produção, desenvolvemos formulações específicas para diversas culturas e regiões do país”, explica Carlos Cardoso. A empresa oferece desde corretivos orgânicos e minerais a bioestimulantes e fertilizantes sólidos e líquidos, muitos com selo de resíduo zero.

A produção própria de castanha é feita em regime biológico.

“Temos um pomar de 8,5 hectares em Vinhais, entre os 750 e os 850 metros de altitude, com rega gota-a-gota monitorizada por sondas de humidade e controlada à distância. De qualquer parte do mundo faço a gestão do meu souto”, sublinha. O seu filho também gere um pomar de 11 hectares. Para Carlos Cardoso, “não vejo nos próximos dez anos a cultura do castanheiro sem rega”.

A estrutura inclui ainda duas charcas — uma com dois milhões de litros e outra com um milhão — além de furo e poço. “O teor de humidade no solo desaparece muito rapidamente. Temos de encarar o castanheiro como fazemos com a macieira ou o pessegueiro: uma cultura de regadio”, defende. A Motivos Campestres trabalha com três variedades de castanha: Judia (nas viradas a norte e nascente), Martaínha (nas viradas a sul) e Belépine como polinizadora. “O que mais nos preocupa neste momento é colocar as plantas a produzir bem, saudáveis”, afirma. Ao mesmo tempo, aposta na diferenciação: “Não queremos trabalhar só a castanha em fresco, queremos valorizar o nosso produto biológico”.

Sobre a importância da castanha na Motivos Campestres, Carlos Cardoso é claro: “Desde 2008 que trabalhamos o castanheiro. É uma cultura que foi durante muito tempo marginalizada, mas que precisa de muito conhecimento e trabalho para ser valorizada”. E acrescenta: “A RefCast tem sido um pilar principal nesse desenvolvimento”.

Quanto ao futuro, é cauteloso: “Não vai ser fácil. Acredito que muitas regiões abaixo dos 500 metros vão deixar de ter castanheiro. A espécie vai tender a subir em altitude. Ou mudamos o paradigma e fazemos castanheiro de regadio, ou vamos ter quebra de produção e diminuição da qualidade”.

→ Leia a reportagem completa do V Simpósio Nacional da Castanha, na Revista Voz do Campo edição de agosto/setembro 2025, disponível no formato impresso e digital.

A Voz do Campo foi media partner oficial do V Simpósio Nacional da Castanha.
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