Agricultores sem ferramentas: ANPROMIS alerta para contradições da política europeia no milho.
O presidente da Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS), Jorge Neves, deixou um alerta contundente em entrevista à Voz do Campo. A propósito dos desafios fitossanitários na cultura do milho, sublinhou que a União Europeia está a retirar soluções aos agricultores sem disponibilizar alternativas eficazes. “O agricultor ficou sem ferramentas. Não há alternativa. E isto é que é um contrassenso”, afirmou.
VÍRUS DO NANISMO E PRAGAS PERSISTENTES
Segundo Jorge Neves, os produtores de milho enfrentam atualmente dificuldades acrescidas. Entre elas, o vírus do nanismo, que ameaça seriamente o rendimento das culturas. “Também o vírus do nanismo é um problema na cultura do milho. São problemas que decorrem daquilo que temos vindo a falar: a Europa vai desmantelando aquilo que são as soluções utilizadas pelos agricultores, sem ao mesmo tempo estar preparada para ter novas soluções para determinados problemas.”
A AMEAÇA DA FIGUEIRA-DO-INFERNO
Um dos exemplos mais preocupantes é a figueira-do-Inferno, infestante de difícil controlo. A redução das substâncias ativas disponíveis para herbicidas agravou a situação, dificultando o trabalho dos agricultores. “A figueira-do-Inferno é exatamente uma dessas situações. Houve uma queda de um conjunto de matérias ativas, nomeadamente a nível de herbicidas, que impedem que haja um controlo eficaz desta infestante.”Paralelamente, a União Europeia endureceu a legislação, estabelecendo limites muito mais baixos da substância associada a esta planta. “Retira-se aos agricultores as ferramentas para controlar a infestante e, ao mesmo tempo, impõe-se uma legislação com limites muitíssimo mais baixos do que eles estavam autorizados. Isto é perfeitamente incompatível.”
CONTRADIÇÃO EUROPEIA PREOCUPA O SETOR
Para Jorge Neves, a situação configura uma clara incoerência nas políticas comunitárias: “Não há alternativa. É isto é que é um contrassenso.”
A ANPROMIS reforça que, sem soluções eficazes, a sustentabilidade da cultura do milho em Portugal pode estar em risco, num contexto em que a Europa exige mais restrições, mas não oferece meios adequados para cumprir as próprias regras.
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