VC:
Apesar de haver indicadores de que a agricultura tem vindo a evoluir em Portugal, há ainda muito para fazer, inclusive com alguns pontos quentes para resolver. Qual a sua visão e como tem acompanhado o setor?

JM:
Quero em primeiro lugar felicitá-los pelo trabalho que têm feito ao nível formativo e informativo da agricultura. Eu tenho feito referências em várias oportunidades, do trabalho de excelente qualidade, da procura sempre daquilo que é o auxílio ao agricultor e à agricultura portuguesa num contributo muito favorável e, portanto, não podia deixar de agradecer o convite para esta entrevista.

Respondendo à sua pergunta, registo com muito agrado e muita satisfação, ter da parte de um analista que está com um poder privilegiado de visão sobre o setor, a informação de que a agricultura portuguesa está bem, isto é muito satisfatório. Há poucos anos atrás em que a apreciação global, não só do setor, mas principalmente da população generalizada, era que este setor da agricultura estava a definhar, estava a extinguir-se. Temia-se inclusive que o próprio Ministério podia acabar.

Pode dar-nos alguns sinais indicativos do estado geral da agricultura portuguesa?
Temos desde há meses a esta parte sinais muito positivos de que o sector vai bem, seja na produção de carne, seja na produção de vegetais, frutícolas, hortícolas, seja naquilo que são os nossos produtos mais intrínsecos da agricultura portuguesa. De forma mais massificada, como é o caso do vinho, do azeite, das hortícolas, temos um potencial muito grande de nos equiparara a um nível mundial com os maiores dos maiores. Mas também, seja ao nível dos mais pequenos, sentimos que os nossos produtos começam a ter uma aceitação diferenciada e melhorada.

Durante muito tempo também dizia-se que as grandes superfícies eram quem ficava com a maior fatia de toda a cadeia alimentar. É verdade que ainda ficam, mas hoje, seja por via das cooperativas, seja por via das organizações de produtores, seja por via das confederações e associações, sente-se que a produção tem aqui um potencial gigante para este setor.

Que apostas o Ministério da Agricultura está a fazer?
Hoje estamos a verificar uma melhoria na nossa paisagem, que é uma das grandes apostas deste Governo, uma vez que o regime extensivo de pastorícia, seja de bovinos ou ovinos, são verdadeiramente fundamentais para a melhoria da paisagem. Estamos a retornar a um processo que foi abandonado ao longo das últimas décadas. E, portanto, há sem dúvida aqui um incentivo.
Nós temos o maior potencial que é o facto de termos em Portugal as nossas condições edafoclimáticas, as nossas condições de proximidade ao mar, as nossas condições climatéricas, que dão às plantas, inclusivamente, a sua resistência, a sua dormência, que as obriga a preservar e a conservar os nutrientes que aumentam o seu esplendor, que dão fruto com uma qualidade superior. Estas potencialidades têm de ser aproveitadas.

Qual é a estratégia do Governo face aos vários desafios que se avizinham?
A nossa estratégia é, acima de tudo, dizer aos agricultores, dizer aos jovens de Portugal que a agricultura vale a pena, porque nós temos produtos de excelência. Nós temos muitos produtos considerados os melhores do mundo, são disso exemplo o arroz carolino, a pera-rocha, as carne das raças autóctones, temos as melhores hortícolas do mundo, os queijos, o azeite, o vinho, e por aí fora (…).

Entrevista conduzida pelo diretor da Voz do Campo, Paulo Gomes (à esquerda na imagem)

Não perca, na edição de outubro, a Grande Entrevista completa ao Secretário de Estado da Agricultura, João Moura.