Firmino Cordeiro, secretário-geral da AJAP – Associação de Jovens Agricultores de Portugal
“A agricultura em Portugal tem pujança. Tem demonstrado capacidade de competitividade, está a competir, somos mais autossuficientes – não totalmente autossuficientes – mas somos exportadores em muitas áreas: nos pequenos frutos, nas frutas damos cartas; nos hortícolas, no vinho (…) temos investido muito no azeite, com os olivais em sebe, superintensivos, nomeadamente com a barragem do Alqueva. Ou seja, temos de analisar esta componente extra num território de sequeiro (…).
Hoje, temos amendoal em sebe, olival em sebe, vinhas regadas, culturas que eram impensáveis de se ver no Alentejo, mas até temos milho para a produção, seja de forragem ou de grão. Portanto, temos de olhar ao potencial que o país tem.
Somos um país mediterrâneo, no extremo desta faixa, digamos assim, mais delicada em termos de clima, não somos norte nem centro da Europa. E aqui também os decisores europeus têm de perceber que, se não tivermos mais água – se não conseguirmos captar mais água daquela que chove – não é preciso ir tirá-la ao mar embora seja uma solução – se não conseguirmos captar mais água, não temos água para fazer agricultura. Hoje não podemos ser tão rígidos ao dizer que não se faz agricultura sem água, mas se tivermos água e se fizermos agricultura em simultâneo, as nossas produtividades, a nossa rentabilidade, a nossa competitividade com os parceiros europeus e internacionais, passa a ser muito maior. É um fator extremamente decisivo no setor”.


