Equilíbrio entre tradição, sustentabilidade e inovação no setor olivícola português
Nas últimas duas décadas, Portugal passou por uma grande transformação no setor olivícola/oleícola. O avanço da tecnologia, a inovação, a adoção de novos métodos e técnicas, bem como de novos sistemas de condução do olival que vieram responder às exigências da produtividade e da competitividade, colocam Portugal entre os maiores produtores do mundo, sendo uma referência global do saber-fazer e do azeite de qualidade superior (virgem ou virgem extra)!
A fileira oleícola passou a ter uma enorme relevância na economia portuguesa com um peso indubitável na balança comercial portuguesa que este ano já ultrapassou 1,5 mil milhões de euros em exportações.
Mas toda esta extraordinária evolução tem por base uma história que remonta a séculos de tradição, de cultura, de identidade e de um património genético olivícola de valor incalculável que é premente proteger.
De acordo com o Registo Nacional de Variedades de Fruteiras (RNVF), da DGAV, referente a 2022, Portugal conta com 65 variedades de oliveira registadas para produção de azeite e/ ou azeitona de mesa, sendo algumas delas específicas e provenientes de determinadas regiões.
As principais regiões olivícolas de Portugal são: Trás-os-Montes, a Beira Interior, o Ribatejo e o Alentejo. As variedades de oliveira dominantes em muitos dos olivais destas regiões são as nacionais “Galega Vulgar” (ou simplesmente “Galega”) e a “Cobrançosa”, variedades que são a base dos azeites com DOP (Denominação de Origem Protegida). Para além destas, existem ainda outras variedades regionais e locais, embora com menor expressão.
Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) dizem-nos que a área de olival em Portugal é atualmente de 380 880 ha, sendo o Alentejo (203 972 ha) a região com maior preponderância, seguido de Trás-os-Montes (81 633 ha) e da Beira Interior (47 222 ha). Destes 380 880ha estimamos que haja cerca de 200.000 ha de olivais tradicionais e intensivos com variedades portuguesas.
A nível internacional, a área de olival correspondia, em 2022, a cerca de 11 milhões ha, de acordo com informação disponibilizada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (Food and Agriculture Organization of the United Nations – FAO).
É fundamental compreendermos a importância do olival tradicional sem descurar a modernização do setor para o futuro do azeite português.

O olival tradicional é um elemento estruturante da economia local e tem um papel fundamental na coesão social, na ocupação do território e na preservação dos modos de vida enraizados há gerações em todo o território nacional.
As cultivares tradicionais portuguesas possuem características fisiológicas e organoléticas únicas e são um elemento ímpar da preservação da identidade dos azeites com DOP.
Apesar do seu valor ambiental, cultural, social e diferenciador, o olival tradicional tem vindo a enfrentar dificuldades. Os custos de produção elevados, a menor rentabilidade face aos novos modelos de condução e a falta de incentivos específicos têm levado ao abandono de muitos destes olivais (…).
→ Leia este e outros artigos completos do Especial Olival Tradicional, na Revista Voz do Campo – edição de outubro 2025, disponível no formato impresso e digital.


