A cereja e o pêssego são frutas com elevada perecibilidade e propensas a desenvolver podridões durante a conservação. Mesmo sob condições de refrigeração, estas frutas estão sujeitas a perdas significativas provocadas por microrganismos como Botrytis cinerea (principal responsável em podridões de cereja) e Monilinia sp. (maior prevalência em pêssego), responsáveis por danos irreversíveis e contaminação de outras frutas.
O projeto ProPrunus surge como resposta inovadora a esta problemática, propondo o uso de ar ionizado como alternativa sustentável e eficaz sem adição de tratamentos químicos convencionais. Liderado pela organização de produtores Cerfundão – Embalamento e Comercialização de Cereja da Cova da Beira, Lda., este projeto I&DT em copromoção, financiado pelo Compete 2030 durante 36 meses¹, com o Centro de Apoio Tecnológico Agro Alimentar (CATAA), Centro Operacional e Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN), Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) e Universidade da Beira Interior (UBI).
O cerne da inovação do ProPrunus reside na aplicação e desenvolvimento da tecnologia de ar ionizado (“atmosferas ionizadas”), que consiste na ionização (positivas e negativas na mesma proporção) de partículas no ar por uma corrente com alta voltagem, estas partículas ligam-se a odores e microrganismos presentes no ambiente de conservação levando à sua inativação.
Ao contrário de outras alternativas como ozono e tratamentos químicos, esta tecnologia não compromete a segurança para o ambiente ou saúde humana. Este método adicional de conservação visa prolongar a vida útil das frutas, manter as suas propriedades nutricionais e sensoriais e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência de produtos químicos, alinhando-se com os princípios da sustentabilidade e segurança alimentar.
Nas principais atividades deste projeto será desenvolvido um equipamento versátil e portátil capaz de gerar atmosferas ionizadas em diferentes contextos, tal como o transporte de mercadorias; testes a nível industrial e piloto com o equipamento Ionny® (Fruit Control Equipments, Milão, Itália) para comprovar a redução de podridões em cereja (prevenção de Botrytis cinerea) e pêssego (Monilinia sp.).
Estes testes serão desenvolvidos em paralelo na organização de produtores (Cerfundão) e nas câmaras piloto no CATAA ambas localizações têm câmara com e sem Ionny®. Adicionalmente, contaminações propositadas com B. cinerea (cereja) e M. laxa (pêssego) com fruta desinfetada e conservada nas câmaras piloto do CATAA com e sem Ionny® (…).
→ Leia este e outros artigos completos, na Revista Voz do Campo – edição de outubro 2025, disponível no formato impresso e digital.
Autoria: Christophe Espírito Santo, Diretor técnico-científico – CATAA – Centro de Apoio Tecnológico Agro Alimentar
¹“Projeto ProPrunus – Melhoria da Qualidade e Segurança das Frutas com aplicação de atmosferas ionizantes em Instalações de Refrigeração Agroalimentar”, ref.ª 18422, financiado pelo/a I&D empresas – projetos de I&DT (SI) – CENTRO2030-FEDER-01476600.


